Vale Norte
Foto: Marcelo Zemke - Ao fundo, à esquerda, a igreja da Comunidade Evangélica e à direita o Museu Histórico Hansaoehe

“Um povo sem história é um povo sem memória”. A frase é da historiadora e escritora Helena Pignatari, que com simplicidade, nos traz a reflexão de quão importante é sabermos de nosso passado e preservarmos a cultura. Na semana em que Ibirama completa 120 anos de colonização, o jornal Diário do Alto Vale faz um resgate de parte da história, que de tão rica, renderia diversas publicações.

Parte dela está preservada no Arquivo Público Municipal de Ibirama, que possui incontáveis documentos. Frente a tudo isto está o historiador e responsável pelo acervo, Dioney Sartor, que se dedica à organização e conservação de uma infinidade de arquivos, divididos entre papéis, filmes, fotografias, mapas e lotes. Ele esclarece que Ibirama possui uma história muito rica, separada em vários períodos, que iniciam com a chegada dos primeiros imigrantes, passando pela emancipação-política, o Estado Novo da era Vargas e o período atual.

Muitas fotografias do acervo são inéditas e passam por digitalização. “Fico sempre atento aos detalhes do período em que elas foram feitas, para se ter uma referência da data. Detalhes como construções e até cartazes de campanhas eleitorais em postes podem ser ampliados e servir de referência para as pesquisas”, conta Sartor.

Colonização

A colonização da região teve início em 8 de novembro de 1897, com a chegada dos primeiros imigrantes, que viriam a enfrentar os perigos da floresta bruta, feras, animais peçonhentos, doenças tropicais e os índios sempre alertas aos movimentos dos invasores de suas terras. O período também marca a fundação da Colônia Hansa-Hammonia.

De acordo com informações contidas no Arquivo Histórico, em 30 de março de 1897, foi organizada em Hamburgo, Alemanha, a Sociedade Colonizadora Hanseática, com o objetivo principal de colonizar as terras devolutas dos vales do Rio Itajaí do Norte e Itapocu, concedidas para a Sociedade colonizadora Hanseática pelo governo do estado de Santa Catarina e seu governador, Hercílio Luz. Também naquela época, em abril de 1898, iniciou-se a construção do Rancho dos Imigrantes (em Hamônia, na foz do Rio Taquaras). O primeiro morador, Willy Lüderwaldt, e sua jovem esposa Magdalena Lüderwaldt, fixaram-se no local em julho de 1899.

No dia 8 de novembro de 1897, chegaram à Barra do Ribeirão do Cocho/Taquaras o então diretor da Sociedade Colonizadora Hanseática, Alfred W. Sellin, que já havia trabalhado com imigração alemã no Rio Grande do Sul, o engenheiro Emilio Odebrecht, além de seis operários brasileiros e um cozinheiro. “Em 11 de novembro do mesmo ano, chegou de canoa a península, que batizou com o nome de Neu Bremen, hoje, Dalbérgia. Em Nova Bremen encontrou a foz, denominada Rio dos Índios, porém determinou que ali o Rio (afluente do Rio Hercílio) fosse chamado de Rio Krauel, em homenagem ao Embaixador Alemão no Brasil, Dr. Krauel. Um pouco acima do afluente do Rio Krauel, ele fixava como o nome de Rio dos Índios”, explica o historiador.

A caravana chefiada por Alfred Sellin deu início a uma história de sucesso, durante o período colonial. Hamônia passou a ser o 4º Distrito de Blumenau, onde o desenvolvimento veio através de trilhos de trem, com a ferrovia que chegou até a colônia em 1909.

O município de Ibirama foi criado por efeito de lei Estadual de 17 de fevereiro de 1934, sob a denominação de Dalbérgia, com território desmembrado de Blumenau. Instalado em 11 de março do mesmo ano, passou o município a chamar-se Hamônia, quando em face do decreto Estadual n° 1 de 7 de maio de 1935, então elevado à vila. Em 31 de dezembro de 1943, com o decreto lei n° 941 o Município e seu distrito passaram a designar-se Ibirama.

Passado o período turbulento da Segunda Guerra Mundial e do Estado Novo de Getúlio Vargas, teve-se o início do grande desenvolvimento da cidade, a partir dos anos 50.

Foi o prefeito Max Meldola que reformou o prédio da Antiga Escola Alemã de Hamônia, para abrigar a nova sede da Prefeitura Municipal e centro cívico, pois construiu a Praça da Bandeira em frente ao mesmo, juntamente ao busto de Olavo Bilac, inaugurada em 20 de abril de 1952.

Comemorações

As comemorações dos 120 anos iniciam na quarta-feira, dia 8, com uma sessão solene na Câmara de Vereadores de Ibirama. Na sexta-feira, dia 10, haverá um desfile para lembrar a chegada dos primeiros colonizadores.

O início do desfile será às 19h30, na Praça José Deeke, com destino à Praça da Bandeira, que passa por restauração e conta com participação da comunidade. No fim do desfile haverá programação cultural e serviço de bar e cozinha, que será explorado pelas entidades e associações de Ibirama.

Cucas gratuitas e Expedição Rota dos Imigrantes

Para reviver os caminhos dos primeiros imigrantes que chegaram à região, no sábado (11) haverá a Caminhada Expedição Rota dos Imigrantes. A concentração será a partir das 7h30, na Praça da Bandeira. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas até a quinta-feira, dia 9, na Prefeitura e nos Departamentos de Turismo e Cultura.

Na caminhada os participantes irão percorrer a mesma trilha em que passou a expedição chefiada pelo diretor da Sociedade Hanseática, Alfred Sellin. Serão duas rotas para escolher, sendo uma de oito quilômetros, do Engenho da Família Santos até o Taquaras, e a segunda de quatro quilômetros, com início no Ribeirão do Cocho até o Taquaras.

Haverá ainda café gratuito com cuca dos 120 anos na Praça da Bandeira. No dia também está previsto serviço de bar e cozinha e apresentações culturais.

A programação dos 120 anos é organizada pela Prefeitura de Ibirama, com apoio da Sociedade de Atiradores Rafael Alto, Sociedade de Atiradores Rio Sellin, Clube Recreativo Hamônia, Wagner Bebidas, Associação de Moradores do Bairro Operário, Associação de Artesãos, Sociedade Desportiva União, Ricord’Itália, Associação Hansahoehe, Associação de Desenvolvimento Getúlio Vargas e Café Ouro.

Marcelo Zemke