Alto Vale
Foto: Tiago Maciel - Um dos mais afetados com a estiagem é o milho

Entre os meses de setembro e dezembro a estiagem vem afetando significativamente a agricultura de algumas regiões do Alto Vale e também outras localidades de Santa Catarina. Algumas culturas importantes sofreram grandes prejuízos por esse motivo.

O Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa), produziu um Boletim Agropecuário do mês de dezembro, e os resultados não foram positivos. Os riscos são principalmente para as culturas do milho, feijão e soja.

A falta de umidade no solo provocou interrupção da semeadura de feijão em municípios importantes do estado. Cerca de 80% da área destinada ao plantio de feijão da primeira safra já está semeada.

O milho é outra cultura que sofreu com a falta de chuva. Segundo a análise da Epagri/Cepa, isto poderá afetar a produtividade, em especial nos cultivos onde o milho está na fase de floração. “O milho está na fase de desenvolvimento em diversas lavouras, quase florescendo. Esta é a fase mais crítica da planta, mas se o tempo colaborar com chuva ele consegue estabilizar”, explicou o Engenheiro Agrônomo de Pouso Redondo, Ricieri Verdi.

As lavouras de soja estão com quase 100% da área semeada no Estado, restando algumas regiões do Planalto, que até o momento não foi estabelecida a semeadura em função do frio e da falta de umidade no solo. “Ainda não temos como fazer levantamento aqui da região, mas um dos problemas em locais localizados, é claro, é a produção de soja”, explicou o Engenheiro Agrônomo e Gestor da Epagri de Ituporanga, Daniel Schmitt.

O Estado deve cultivar mais de 700 mil hectares nesta safra, mas o rendimento será menor do que o verificado no período agrícola anterior.

O alho teve perdas pela estiagem durante o desenvolvimento do ciclo vegetativo da cultura. Os bulbos estão menores, porém a qualidade do produto é muito boa. Outro aspecto foi a elevação do custo de produção pela necessidade de intensificação da irrigação.

“Temos um ataque maior de pragas nas lavouras deste ano, mas em compensação, menores casos de doenças”, relata o engenheiro Ricieri.

Nas pastagens, a estiagem também prejudicou os produtores, desta vez de leite. “Na minha visão, aqui na região do Alto Vale, uma das maiores perdas foi a pastagem do gado leiteiro. Vejo a produção de pasto muito pior e o leite com uma queda de 10 a 20% da produção”, completou o engenheiro.

Cebola e Fumo

A queda dos índices pluviométricos em setembro acarretou redução do tamanho dos bulbos de cebola, porém não comprometeu a qualidade do produto.

A colheita da cebola está em pleno ritmo em todas as localidades, sendo que nas regiões de Ituporanga e Rio do Sul quase toda a área já foi colhida. A boa notícia para os agricultores, é a taxação das importações de cebola de países não pertencentes ao Mercosul, que deve iniciar em janeiro. Essa inclusão da cebola na LETEC deve trazer grande reflexo na comercialização nacional, em especial de Santa Catarina e da região do Alto Vale do Itajaí. Isso não vai deixar efeito negativo para o mercado.

No fumo, a safra 2017/2018 está estimada com expansão de 3,2% da área plantada e uma expectativa de rendimento 4,5% inferior à obtida no ciclo anterior. Nestas condições, espera-se uma safra ligeiramente inferior ao ciclo passado, com queda de 1,5% na produção de tabaco.

Segundo Daniel, aqui no Alto Vale as lavouras dos fumicultores não apresentaram muitos problemas.

Elisiane Maciel