Alto Vale
Foto: Arquivo pessoal

Como foi veiculado no portal online do DAV na noite de terça-feira (19), a decisão que reestabelece os direitos políticos de Gervásio Maciel (PP), com a possibilidade de que o mesmo reassuma o cargo de vice-prefeito em Ituporanga, saiu na tarde de terça-feira (19), no Supremo Tribunal de Justiça (STJ). Inclusive, a decisão foi recebida pelo Juiz da Comarca de Ituporanga, que já fez o anúncio ao Presidente da Câmara e para prefeito de Ituporanga, Osni Francisco de Fragas, o Lorinho (PSDB).

Questionado sobre o papel dele como vice-prefeito no governo de Ituporanga, Gervásio Maciel explica que é mero expectante. “Eu só posso fazer alguma coisa na Prefeitura se o prefeito me chamar”, explica. Questionado sobre o fato, o prefeito Lorinho foi enfático ao afirmar que ele será bem vindo ao governo e que está alegre com a notícia dele voltar a ocupar o cargo de vice. “Só preciso que ele mude a postura dele, e ao invés de apenas fazer críticas, traga sugestões e nos ajude a honrar os compromissos assumidos com a população na campanha”, explica.

Gervásio relembra o fato de que Lorinho não teria cumprido com o compromisso firmado durante as eleições, principalmente ao que se refere a formação da equipe de governo, onde segundo ele, o PP não teria recebido espaço.

Lorinho rebateu a informação e afirmou que o PP está contente com o que lhe foi oferecido. “O PP está comigo, me dando todo o apoio e sustentação política”, explica. Segundo o prefeito o partido ocupa duas secretarias, quatro diretorias além de cargos diversos no governo.

O vice-prefeito também se colocou como protagonista da eleição de Lorinho, ao afirmar que reergueu o PP em Ituporanga com a eleição de três vereadores que dão suporte ao governo. “O Lorinho rompeu com o PP, partido que está lá ajudando ele, está lá de agregado, de cabeça erguida. Um partido que deu a eleição pra ele. Ele não tinha credibilidade para se eleger, quem deu essa credibilidade foi o Gervásio”, desabafa.

Lorinho reconhece os méritos de Gervásio Maciel na eleição, porém, garante que venceria a eleição com qualquer outro vice. “Toda vida tive 60, 70% da aprovação. Nunca me passou pela cabeça perder a eleição, com ele, ou com qualquer outro vice”, argumenta.

Além disso, Gervásio afirmou que a presença dele na prefeitura prejudicaria a conduta do prefeito Lorinho. “Eu não tenho rabo preso com ninguém, e ele tá cheio de processo na justiça de corrupção ainda da outra eleição”, conta.

Lorinho explica que se tivesse com problemas na justiça, não conseguiria ser candidato. “O que tem é um erro contábil que não deu nenhum prejuízo ao erário, e até hoje não fui julgado porque não prejudicou o erário. Isso não me impede de terminar meu governo com tranquilidade”, explica,

Segundo Lorinho, em uma rádio de Ituporanga, o vice-prefeito afirmou que deverá assumir o governo em fevereiro, quando, segundo ele, Lorinho se licenciaria para fazer uma cirurgia. Mas, Lorinho afirmou que está em ótimo estado de saúde, e mostra-se otimista para o próximo ano. “O ano que vem será muito melhor, será o ano de muitas obras, de um grande governo”, rebate.

A reportagem do DAV entrou em contato com o presidente do PP de Ituporanga, Pedro Muller Filho, que preferiu não se manifestar sobre o assunto. Adiantou que em fevereiro o partido deverá se reunir com Lorinho para traçar as ações políticas e de governo para o ano que vem.

O retorno ao cargo de vice-prefeito

A liminar assinada pelo Ministro do STJ, Napoleão Nunes Maia Filho, suspende os efeitos da decisão transcrita no acórdão, que condenava Maciel por improbidade administrativa, que supostamente teria ocorrido em 2002.
Alexandro Abreu, advogado de defesa de Maciel, explica que na decisão foi deferido um pedido de tutela provisória em favor do político. “Essa decisão faz com que não faça valer qualquer condenação contra Gervásio Maciel, ou seja, hoje ele não tem impedimento nenhum para reassumir o cargo de vice-prefeito”, explicou.

Entenda o caso

Gervásio Maciel foi condenado por ato de improbidade administrativa, que supostamente teria ocorrido em 2002. O caso se refere à desapropriação de terrenos localizados em Ituporanga para a construção de uma lagoa para a prática de esportes náuticos.

Em entrevista ao DAV, ele explica que o problema é que antes do fato, ele tinha desapropriado uma área para a prefeitura para a construção da Casa Familiar Rural. Porém, quando foi iniciado o processo de desapropriação de outra parte do imóvel, onde estava a lagoa, ele realizou o processo tendo como base o valor pago na desapropriação anterior, que contemplou a construção da Casa Familiar Rural. “O perito judicial que aumentou o valor do terreno, alegando que eu teria feito o processo com valor mais baixo. Eu não poderia desapropriar com valor maior, pois aí seria improbidade administrativa”, argumenta.

Além disso, devido ao espaço integrar o Parque da Cebola, ele procurou um grupo de praticantes de jet-sky, formado por 13 sócios, para que fizessem doações para a realização de melhorias estruturais no espaço. “Eu consegui com o pessoal do jet-ski um dinheiro para investir na estrutura, tornando o espaço de utilidade pública para esporte náutico e eles poderiam usar a lagoa. Sou o único político no Brasil processado que não roubei e trouxe dinheiro de fora, como doação, para dentro da prefeitura”, finaliza.

Rafael Beling