Cidade

A campanha eleitoral de 2016, que elegeu prefeitos e vereadores em todo país, ainda gera muita polêmica em Rio do Sul. Isso devido a uma bomba que estourou quase que por acaso na cidade, pois durante a investigação de um possível cartel de postos de combustíveis na Capital do Alto Vale, a Delegacia de Investigações Criminais (Dic) interceptou ligações telefônicas de políticos e militantes da coligação encabeçada pelo atual prefeito, José Thomé (PSDB).

Segundo o material apurado, o então candidato tucano e sua equipe apresentaram fortes indícios da prática de caixa dois, crime que hoje está em voga no Brasil devido às investigações da Operação Lava Jato. O caixa dois significa a prática de captação e aplicação de recursos de forma ilegal, ou seja, dinheiro que não é declarado na prestação de contas da coligação ao final do período eleitoral.

O processo corre em segredo de Justiça, mas caso seja comprovada a irregularidade, Rio do Sul está sujeita a novas eleições para prefeito, provocando ainda, a inelegibilidade dos acusados pelo período de oito anos. Neste momento, estão sendo interrogadas testemunhas do processo eleitoral.

Na manhã de ontem (12) ocorreram 17 depoimentos, sendo 13 testemunhas de acusação e quatro de defesa. O delegado da Dic que investigou o caso do susposto cartel e esbarrou no esquema do caixa dois, Almiro da Costa, foi um dos ouvidos. Em ligação telefônica, ele definiu o testemunho de hoje como “longo” e optou por não conceder entrevista neste momento.

Outro policial da Dic, agente Mario Ponticelli Júnior, esclarece que o papel da polícia foi de investigação sobre o crime da falsidade ideológica, pelo recebimento de doações não declaradas e, que o promotor após tomar ciência disso, entrou com o processo eleitoral.

“Nós estávamos investigando o crime, não nenhum outro ilícito eleitoral. Como ele utilizou nosso inquérito para promover essa ação, fomos lá responder algumas perguntas sobre a investigação. A gente falou o que lembrávamos da investigação conforme perguntado, tanto para o promotor quanto para a defesa”, relatou.

O agente ainda explica que a apuração das irregularidades eleitorais não foram aprofundadas pela Dic por não se tratar de sua competência, enquanto órgão policial. “Tinha muita coisa que a gente não foi a fundo porque não era nosso objetivo, que era fazer a prova do crime da falsidade ideológica”, disse a testemunha.

Conforme relatou o promotor do caso, Artur Koerich Inácio, a possibilidade de condenação dos réus é real, devido ao conteúdo apresentado pelas testemunhas: “O depoimento dos policiais que fizeram a investigação confirmou os termos e pelas diligências realizadas, que foram muitas, acabaram por confirmar tudo que foi feito e reforçar e contextualizar as provas que constam ali”, afirmou o promotor.

Inácio também destacou a relevância e solidez das provas, dizendo que se trata de um processo “documental”, ou seja, as testemunhas vieram a avalizar os documentos presentes nos autos. Ele complementa dizendo que na data de ontem não houve nenhuma surpresa.

Ainda segundo o promotor, agora será cumprido um prazo de entorno de 10 dias para que uma das testemunhas apresente um documento importante para o caso, após isso, haverá um novo prazo de dois dias para ambas as partes realizarem suas considerações finais e somente então, o juiz proferir sua sentença.

Irregularidades nos dois lados

Supostas irregularidades eleitorais não foram exclusividade somente da “Coligação Renovação e Trabalho Para Crescer”, de José Thomé e Paulo Cunha.

Após investigação da Dic, a “Coligação Pela Família Rio do Sul”, que buscava a reeleição do então prefeito, Garibaldi Antonio Ayroso (PMDB), o Gariba, também teve membros denunciados e condenados por atos de corrupção.

Além do vice-presidente do PMDB, a candidata à vice-prefeita e seu esposo, e o ex-secretário de Saúde de Rio do Sul foram condenados. Gariba foi absolvido por não haver indícios de sua ligação com o caso.

A decisão proferida pelo juiz da 26ª Zona Eleitoral ainda cabe recurso, conforme noticiado na época pelo Jornal Diário do Alto Vale.

Airton Ramos