Alto Vale
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Reportagem: Rafaela Correa/DAV

O ano de 2020 está sendo difícil para muitas pessoas, seja na saúde, trabalho ou financeiramente falando. No Alto Vale, diversas cidades tiveram algum tipo de prejuízo com os fenômenos naturais, como o granizo. Segundo o inspetor regional da Associação dos fumicultores do Brasil (Afubra), Jonas Darolt, o número de plantações de fumo atingidas dobrou em relação ao mesmo período do ano passado. Quase 5.500 lavouras tiveram algum tipo de prejuízo.

Jonas Darolt explica que pelo menos 5.450 plantações foram atingidas somente este ano e que comparado ao ano anterior, o número aumentou mais que o dobro na região. Em 2019, o número correspondia a 2.140 e destaca que os valores correspondem a diversos níveis de perdas, já que alguns agricultores perderam mais e outros menos.

Entre as cidades mais atingidas, estão Vidal Ramos, Witmarsum, Aurora, Petrolândia e Santa Terezinha. No mês de novembro em Witmarsum por exemplo, o cenário era triste para vários produtores. O então secretário de Agricultura, Charles Edir Kohlrausch disse durante entrevista que chegou a visitar as propriedades e relatou que embora o granizo não tenha sido tão forte, o vento teria piorado a situação e além dos furos na folha elas também teriam quebrado. “Quando cheguei a uma residência um agricultor estava ligando para a empresa buscando pela assistência técnica para fazer o laudo e acionar o seguro, lá a perda foi praticamente total”, explicou.

Em entrevista ao DAV, no dia 21 de agosto, após uma tempestade com granizo, o coordenador da Associação dos fumicultores do Brasil (Afubra) de Rio do Sul, Rafael da Silva, disse que em Santa Terezinha, por exemplo, uma plantação de 17 dias havia sido completamente destruída.

Expectativa de venda

Além do problema com os fenômenos naturais que representam muitas vezes uma ameaça ao investimento e mão de obra dedicados à plantação por vários meses, produtores também aguardam ansiosos os lucros no fim da safra que podem ser maiores ou menores de acordo com o valor estabelecido por empresas que compram a produção.

No município de Chapadão do Lageado, o agricultor Jefferson Rengel lamenta as perdas dos colegas de outros municípios e diz que é um momento de união e de cobranças sobre valorização por tudo o que a classe enfrenta todos os anos.

Ele ressalta ainda que há uma expectativa de melhora nos preços pagos pelas fumageiras, mas que até o momento não há nada oficial. “Temos expectativa que seja bom porque até agora não saiu nenhuma reunião sobre preço do fumo, acho que teria que ser valorizado isso. A gente espera que seja um ano melhor que o ano passado, porque ano passado foi muito ruim, os insumos subiram, mão de obra, energia, está ficando complicado, se não vender bem o fumo vai ficar difícil, mas a expectativa é que o preço fique melhor. A gente sabe que infelizmente muitos perderam parte da produção para o granizo, estiagem e talvez haja uma procura maior por esse motivo e o preço melhore, mas não temos nenhum parâmetro oficial”, finaliza.