Alto Vale
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Reportagem: Helena Marquardt/DAV

Com mudanças na lei e avanços nas pesquisas, o uso terapêutico da Cannabis, vai deixando aos poucos de ser um tabu para transformar vidas de muitos pacientes. Cada vez mais brasileiros têm recorrido ao óleo derivado da planta para amenizar os sintomas causados por várias doenças. No Alto Vale não é diferente, alguns moradores já utilizam o derivado e contam sobre a experiência positiva em relação aos resultados.

Um rio-sulense, que preferiu não se identificar, relata que foi diagnosticado com tendinopatia de glúteo médio, uma inflamação no tendão do glúteo.Ele já passou por duas cirurgias e ainda recebeu a indicação de uma terceira. Durante quatro anos, ele diz que recorreu a tratamentos tradicionais, mas não teve uma melhora significativa, foi então que resolveu se informar sobre o extrato de cannabidiol. “Fui saber mais, entrei em contato com uma associação de Florianópolis e recebi a indicação dos médicos que faziam a prescrição e fiz uma consulta onde fizeram uma avaliação do meu caso e indicaram o tratamento com o óleo de cannabidiol”, lembra.

Ele conta que após receber a prescrição do medicamento também conseguiu junto a mesma associação a autorização para a compra do produto e iniciou o tratamento. “Eu uso uma gota de manhã, duas ao meio dia e três à noite e o custo através da associação com o frete é de R$ 380,00 o vidro de 30 miligramas. Se fosse para comprar na farmácia seria R$ 2.500”.

O homem relata que desde que iniciou o tratamento com o óleo percebeu uma melhoria na sua qualidade de vida e voltou a fazer tarefas simples que antes eram quase impossíveis. “Não zerou, mas diminuiu muito a minha dor, isso que ainda estou no começo do tratamento e também não tive nenhum efeito colateral. Antes eu praticamente não conseguia caminhar e hoje já vejo muita diferença e sei que a tendência é melhorar com o tratamento a longo prazo”, opina.

A associação citada pelo rio-sulense é a Santa Canabbis, entidade de Florianópolis que foi criada em janeiro de 2019 com intuito de acolher e ajudar os pacientes que têm indicação para o uso da cannabis medicinal. “Hoje temos uma grande dificuldade de fazer o tratamento de pacientes com indicação para esse uso pela falta de uma regulamentação nacional, o que vai contra o que está acontecendo no mundo todo que já utiliza a cannabis medicinal para o tratamento de diversas doenças e para o bem estar e qualidade de vida”, relata o presidente da Santa Cannabis Pedro Sabaciauskis.

Ele revela que atualmente são mais de 30 associações espalhadas pelo Brasil e todas, assim como a entidade de Florianópolis, têm um papel fundamental que é de auxiliar os pacientes e orientar os profissionais que querem ingressar nesse mercado, além de promover um debate sobre o tema. “Hoje ajudamos 550 pacientes do Brasil inteiro e temos uma rede de apoio de funcionários e voluntários de 30 pessoas, além disso, temos mais de 200 apoiadores anjos que são pessoas que não utilizam a cannabis medicinal, mas que apoiam a associação por acreditar no nosso trabalho que atende todos os tipos de pacientes e com várias doenças graves”, completa.

Pedro afirma que no país o produto é utilizado principalmente para tratamento de epilepsia, espasmos, Parkinson, Alzheimer, paralisia cerebral e tantas outras doenças severas, mas apesar dos benefícios é preciso quebrar preconceitos e garantir o direito aos pacientes de ter acesso a mais de uma alternativa de tratamento. “Muitas pessoas ainda acham que é uma droga, mas está provado que não principalmente por laboratórios do mundo inteiro. Esse tabu de que ela é uma droga foi vendido para a gente nos últimos 80 anos principalmente por questões econômicas. O uso da cannabis como medicina foi substituído com a indústria farmacêutica e queremos levantar essas discussões”, disse.

Além de receber os pacientes e fazer o encaminhamento para o médico especialista em cada tipo de doença, a Santa cannabis também possui advogados para quem quer fazer a medida protetiva para quem quiser fazer o plantio e produzir o próprio remédio em casa.