Alto Vale

A semana foi de boas notícias para os produtores de cebola da região do Alto Vale. Depois de muito aguardada, enfim a cebola foi inclusa na Lista de Exceções à Tarifa Externa Comum (LETEC). “Nós estávamos ansiosos para que isso acontecesse e agora felizes por termos feito parte dessa luta”, comemora Luiz Carlos Laurindo, presidente da Associação dos Produtores de Cebola de Santa Catarina (Aprocesc).

Laurindo foi responsável por pelo menos dois manifestos que foram realizados no centro de Ituporanga com o principal objetivo de pressionar as autoridades políticas sobre a necessidade de incluir a cebola na LETEC. “Sem essa inclusão, nós produtores, estávamos em uma disputa desleal. A cebola da Europa estava chegando aqui, com a mesma competitividade que o nosso produto e ainda com uma vantagem, como o sistema de armazenamento deles é diferenciado eles entravam com a cebola no Brasil quando eles achavam conveniente, e isso estava dando prejuízo para os nossos produtores”, desabafou.

A votação final dos ministros que fazem parte da Câmara de Comércio Exterior (CAMEX) ocorreu nessa semana, e os oito Ministros foram favoráveis a inclusão da hortaliça na LETEC. Rafael Corsino, presidente da Associação Nacional da Cebola, explica que a votação favorável foi resultado de muito empenho. “Fizemos várias visitas aos Ministros que integram a CAMEX. Estávamos disputando essa inclusão com muitos outros produtos de vários outros setores. A LETEC é limitada e são apenas 100 produtos de todos os setores que fazem parte”, pondera.

Com a aprovação da CAMEX, a taxação sobre a importação da cebola será de 25%, a partir de janeiro de 2018, 20%, em 2019, 15%, em 2021 e, posteriormente, voltará a condição normal de concorrência de mercado. “Nossa luta era pra que a taxação fosse de 35%, que é o limite da LETEC. Não alçamos isso no momento, mas já consideramos uma grande conquista. É fruto da organização da nossa cadeia produtiva”, comenta. Corsino acrescenta que a luta vai continuar, “Até pouco tempo não tínhamos a representatividade da cadeia produtiva da cebola. Ninguém sabia da importância econômica que essa hortaliça tem para o comércio brasileiro. E agora já estão nos olhando com outros olhos. Isso mostra que a força, está também na organização dos produtores”, enfatiza Corsino.

Reflexos da inclusão para a comercialização

A inclusão da cebola na LETEC deve trazer um grande reflexo na comercialização da cebola nacional, em especial de Santa Catarina e da região do Alto Vale do Itajaí. A expectativa é do coordenador da Câmara Setorial da Cebola de Santa Catarina, o engenheiro agrônomo da Epagri, Daniel Schimdt. “Essa inclusão apresenta a possibilidade de quando o mercado brasileiro não tiver tão abastecido, pleitear valores mais altos. Isso deixou de acontecer desde que a cebola europeia em especial da Holanda começou a ser importada e isso para o nosso produtor trouxe bastante prejuízo”, explica.

Além disso o engenheiro agrônomo, acrescenta que essa notícia acaba com um efeito psicológico negativo para o mercado. “Muitas vezes quem compra cebola tende a denegrir a cebola catarinense, utilizando como referência a cebola importada. E isso não vai mais ocorrer. Vejo que o país com uma produção de mais de 1,5 milhão de toneladas não tem necessidade de fazer importação do produto de tão longe, basta que a gente organize a produção em todos os estados, e essa é uma das ideias da ANACE para o futuro”, comenta.

O aumento na taxa de importação começa a valer apenas em janeiro de 2018, porem já traz um alívio para os produtores que fazem a colheita do produto em Santa Catarina, em especial no Alto Vale. “Tivemos alguns problemas com a safra neste ano. A estiagem, o frio e calor em épocas erradas, fez com que novas doenças se desenvolvessem e trouxessem prejuízos para os produtores que em muitos casos terão redução na produtividade bem significativa”, explicou.

Mas mesmo com a redução já prevista, o Estado catarinense tem uma grande quantidade de cebola para ofertar ao mercado e cebola de qualidade. “E essa cebola agora poderá ter um escalonamento de oferta mais longa. Sendo que o produtor poderá se programar melhor, armazenar esse produto e vender com mais calma até o final da safra, sem ter o medo de que a qualquer momento chegará carregamentos de cebola importada e que prejudicará diretamente o mercado”, finaliza.

Presidente da Câmara comemora inclusão da cebola na lista da LETEC

A notícia da inclusão da cebola na Lista de Exceções à Tarifa Externa Comum (LETEC), foi comemorada pelo presidente da câmara de vereadores de Ituporanga, Adriano Coelho (PP). Ele ressaltou que o Poder Legislativo não mediu esforços para auxiliar os produtores nessa luta que já vinha se arrastando há muito tempo.

“Estamos muito felizes com a informação que recebemos no final da tarde de hoje que finalmente a cebola passará, a partir do ano que vem, a integrar a lista da LETEC. A Câmara buscou sempre estar ao lado dos produtores, participando ativamente dos manifestos, da divulgação dos atos e abrindo espaço para que lideranças da classe pudessem se manifestar nesta Casa. Acredito que o esforço de todos tenha sido válido e a partir de agora a cebolicultura, sem dúvida, viverá um novo tempo”, comentou Coelho.

No início do mês passado, atendendo convite da Associação dos Produtores de Cebola de Santa Catarina (APROCESC) e da Associação Nacional de Produtores de Cebola (ANACE) Adriano esteve em Brasília, acompanhado dos vereadores, Jaime Sens (PP), Rodolfo Stadnik Filho “Fuk” (PP) e Leandro Heinzen (PSB), onde participou de encontro com Ministros e com membros da Câmara de Comércio Exterior (CAMEX) reivindicando que a cebola fosse incluída na LETEC.

“Naquela oportunidade estivemos lá representado todos os vereadores de Ituporanga e ao lado de várias lideranças e de associações, podemos reforçar o pedido da importância da taxação da cebola importada. Felizmente após uma grande expectativa o pedido foi aceito e a espera valeu a pena”, concluiu.

Adriane Rengel