Alto Vale
Foto: Redes sociais

Reportagem: Rafaela Correa/Dav

Em meio a tantas notícias ruins vistas diariamente na internet ainda há espaço para a solidariedade. No município de Agrolândia, um grupo de voluntários chama atenção da população para aqueles que mais precisam. O SOS Agrolândia usa as redes sociais para fazer campanhas de arrecadação para moradores que passam por dificuldades. Em quase dois anos de atuação, a equipe já arrecadou roupas, alimentos, dinheiro e até mobiliou casas inteiras.

A fundadora do grupo, Priscila Rusch conta que tudo começou no ano de 2018, quando viu que uma pessoa próxima passava por dificuldade e resolveu pedir ajuda no facebook. “Começou porque eu tinha uma vizinha com cinco crianças e ela não tinha condições de comprar o material escolar, então eu abracei a ideia e comecei a divulgar no meu facebook. Na época, eu sozinha consegui arrecadar material para 35 crianças. Depois disso, uma amiga minha me apresentou para a Marcela, que hoje é falecida e a gente começou a acompanhar o tratamento. A Marcela teve câncer de mama, ela tinha quatro filhos e a gente fazia visitas semanais, levando frutas, fizemos aniversários pra eles sempre com doações e o pessoal começou a ajudar, procurar e então resolvemos criar o SOS”, contou.

Atualmente são 12 voluntários e centenas de produtos arrecadados. “Nunca calculamos quantas famílias ajudamos. Quanto mais a gente divulgava mais nos procuravam para oferecer ajuda, assim como aumentaram os pedidos de ajuda”, comentou.

Até o momento o grupo não possui espaço físico próprio para armazenar as doações, mas com a pandemia, a igreja luterana concedeu um espaço para guardar os itens recebidos, que não são poucos. Priscila conta que a doação de roupas é muito comum e que por falta de espaço para guardar estão planejando um bazar. “O SOS está planejando um bazar solidário porque recebemos muitas roupas, seria um valor simbólico, talvez R$1 ou R$2 para que possa ser revertido e possamos ajudar quando alguém precisar de algo que a gente não tenha. Aí poderemos comprar com esse valor”, justifica

Os voluntários enfrentam diversos desafios. Além da rotina de trabalho, eles também buscam as doações e apesar de todas as dificuldades estão felizes em poder ajudar. “ Estamos felizes que o grupo está crescendo, que as pessoas estão procurando a gente para fazer doação, geralmente nos chamam pela página, whatsapp, aí vamos ver a família e fazemos a campanha. Já mobiliamos casas inteiras e mudamos a vida de várias famílias”, afirma.

A maior parte dos atendimentos acontece no município, mas nem todos os voluntários moram lá, alguns ajudantes residem em outra cidade.  “A gente atende sempre a maioria do município de Agrolândia, mas temos pessoas de Trombudo Central que nos ajudam, quando não temos alguma coisa, mandamos para eles. São pessoas muito especiais”, destaca. Ela pede ainda que as pessoas doem mais alimentos, produtos de limpeza e higiene porque há uma demanda grande, mas no geral recebem pouco.

Questionada sobre doações em dinheiro, ela responde que há uma grande preocupação em relação à transparência. “A gente recebe algum dinheiro e sempre tiramos nota para dar mais transparência. Procuramos usar de maneira correta com as famílias necessitadas”, esclarece.

O trabalho da equipe exige dedicação e dá trabalho, aí vem a pergunta: Por que ? A resposta da Priscila é simples. “Somos um grãozinho de areia em um mundo carente de atenção e amor ao próximo. A gente só quer fazer a diferença na vida das pessoas. Nós não podemos mudar o mundo sozinhos, mas podemos fazer alguma coisa por ele”, completa.

Como doar

Para doar basta entrar em contato através das redes sociais. O grupo precisa de alimentos, produtos de higiene e limpeza e também de valores em dinheiro. “Nós estamos usando a conta da igreja para receber dinheiro porque não queríamos que ficasse em uma conta particular. Assim fica melhor”, explica. Ela conta ainda que atualmente o SOS Agrolândia acompanha um menino de três anos, que luta contra o câncer a cerca de dois. “A gente abraça todo mundo e tentamos curar realmente a ferida da pessoa. Nós escutamos assim: ‘Não sabia que em uma cidade tão pequena tinha gente passando por isso’. Não pensamos que perto da gente pode ter alguém passando por necessidade, mas existe”, finaliza.

Dados de conta para doações em dinheiro:

Comunidade Evangélica Luterana

Banco Bradesco S.A.

Agência 2550- Agrolândia

Conta 655.9

CNPJ: 19.842.056/0001-11