Alto Vale

Reportagem: Helena Marquardt/DAV

O setor elétrico brasileiro enfrenta a maior crise hídrica dos últimos 91 anos e a população vai sentir no bolso os efeitos desse momento delicado. O chefe da Agência Regional da Celesc, Manoel Arisoli Pereira comenta que neste momento não há expectativa de racionamento, mas ressalta que o maior problema será o preço da energia nos próximos meses.

Ele afirma que as maiores bacias hidrográficas do Brasil estão na região Sudeste e Centroeste e os reservatórios estão entrando em um nível crítico pela falta de chuva. “O período de chuva nessas regiões começa em novembro, então a grande preocupação é que os reservatórios podem não chegar até novembro”.

Manoel revela que hoje 31% da energia gerada no país está sendo a diesel o que justifica o anúncio de uma nova bandeira tarifária, chamada de ‘escassez hídrica’, que trará aumento de 6,78% na tarifa média dos consumidores regulados e que foi anunciada nesta semana pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Annel) e o Ministério de Minas e Energia. “As bandeiras tarifárias estão tão caras para cobrir o custo do diesel e dos gás natural dessa geração de energia que deve aumentar ainda mais porque, quanto mais baixos os reservatórios, mais energia térmica precisa ser gerada”, completa.

Questionado sobre a preocupação de racionamento ele comenta que a hipótese está praticamente descartada, mas o que tem preocupado é o valor pago pela energia já que energia térmica custa em média 10 vezes mais que energia hidráulica. O novo valor da taxa extra é de R$ 14,20 pelo consumo de 100 kWh e começou a valer nesta quarta-feira (1º) e vai até o dia 30 de abril de 2022. Até agora, o valor cobrado era de R$ 9,49.“A grande preocupação é o preço. O governo terá que colocar todas as usinas térmicas disponíveis, mas isso faz elevar o preço da energia elétrica”.

Ele ressalta que o Governo deve lançar nos próximos dias uma campanha para estimular a redução do consumo. “A expectativa é que para quem reduzir o consumo voluntariamente acima de 10% tenha algum desconto. Isso ainda será definido, mas foi uma das duas recomendações feitas pelo Comitê de crise do setor elétrico e que sugere implementar um prêmio para quem reduzir”, conta.

Preparativos para o verão

No Alto Vale Manoel também comentou as medidas adotadas pela companhia como forma de diminuir as quedas de energia durante o verão. Ele conta que uma delas é a contratação de cinco novas equipes operacionais que já estão atuando na região. “Reforçamos em Petrolândia, em Agrolândia, Salete, Rio do Oeste e em Presidente Getúlio na madrugada que vai atender no Vale Norte, isso fora todas que a gente já tinha”.

Ele afirma que a Celesc também continua intensificando o trabalho de roçada e limpeza de redes e que outro investimento na região é a continuidade do Programa Celesc Rural que prevê a troca de rede. “Já trocamos mil e cem quilômetros de cabos e agora estamos na fase de assinatura de mais trezentos quilômetros, porque onde é feita a troca conseguimos reduzir em até 90% a falta de energia elétrica”, finaliza.