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Reportagem: Cláudia Pletsch/DAV

Depois da grande repercussão sobre o caso da menina de 10 anos que sofreu abuso sexual no Espírito Santo, os alertas sobre esse crime ficaram ainda mais em evidência e os números apontam que esse não é um caso isolado, e que o abuso pode acontecer mais perto do que se imagina. Em Rio do Sul, segundo informações da Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, a Mulher e ao Idoso (Dpcami) desde o início do ano já foram registrados 11 inquéritos policiais por estupro de vulnerável, ou seja, de crianças e adolescentes menores de 14 anos.

Em todo o estado foram notificados de 1° de janeiro até 18 de maio 675 crimes de tipificação de estupro de vulnerável e menores de idade, segundo dados da Diretoria de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública de Santa Catarina. Nesse ano, em meio à pandemia houve uma queda de 39,8% comparado ao mesmo período do ano passado, mas o que preocupa a Delegacia de Rio do Sul é que os casos podem não estar sendo notificados a polícia.

Psicóloga orienta os pais sobre cuidados com as crianças

Buscar soluções que ajudem os pais a ensinarem as crianças sobre o que pode ser permitido ou não desde cedo é uma das alternativas para que elas possam ser protegidas dentro e fora de casa. A psicóloga Josiane Garbari explica que observar o comportamento da criança e conversar é a melhor forma de identificar algum sinal de que algo está errado. “Desde cedo os pais devem orientar a criança que ninguém além deles pode tocar o corpo do filho ou filha. É sempre bom dizer para a criança que se algum adulto chegar perto e ela sentir o coração apertadinho ou um frio na barriga ela deve contar aos pais. Além disso, os pais não devem forçar a criança a cumprimentar com beijos e abraços outros adultos, mesmo que sejam da família”, explica.

Josiane ainda ressalta que os pais devem ficar atentos a mudanças bruscas de comportamento pois é dessa forma que a criança indica que algo de errado está acontecendo. “O comportamento que a criança desenvolve geralmente não é somente sobre o abuso sexual, mas sobre algo difícil que ela esteja vivendo, algum outro tipo de violência, situações de brigas em casa por exemplo. Mas os principais sintomas são a mudança de comportamento, então crianças que estavam brincando normalmente começam a ficar retraídas, não querem mais brincar, na escola começam a ficar agressivas com colegas, podem começar a ter um baixo desempenho escolar pois ela não consegue prestar atenção efetivamente na aula, vai estar com os pensamentos todos confusos em relação a aquilo que aconteceu com ela. É dessa forma que ela manifesta que algo não está certo, dificuldades para dormir, muitos pesadelos a noite e agressividade também são sintomas”, comenta.

A psicóloga ainda explica que os pais devem perder o medo de falar com os filhos sobre os cuidados com o corpo, pois quando esse diálogo não acontece a criança acaba vivenciando situações de abuso e também acredita que não pode falar.

Ela explica que ao observar mudanças repentinas de comportamento os pais devem conversar com a criança e buscar a ajuda de um profissional. “A primeira atitude a se tomar ao observar alguma mudança de comportamento é procurar um profissional que vai ajudar a identificar o que está acontecendo, mas se na conversa da criança ela já relatar que sofreu algum toque os pais devem imediatamente fazer a denúncia”, finaliza.