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Reportagem: Rafaela Correa/DAV

A água é um dos bens mais preciosos da humanidade e cuidar da qualidade do que usamos diariamente para diversas atividades é muito importante, principalmente em termos de saúde. Preocupados com a situação da Bacia Hidrográfica do Rio Itajaí, a Associação Empresarial de Rio do Sul (Acirs) participou da votação do Comitê do Itajaí posicionando-se favorável à implantação do tratamento universal do esgotamento sanitário. O valor do investimento até 2040 é estimado em mais de R$2 bilhões. O projeto segue para segunda votação no Conselho Estadual de Recursos Hídricos.

Segundo Cleber Stassun, representante da Acirs no Comitê do Itajaí, a melhoria da qualidade da água precisa ser prioridade, e por isso a aprovação. “Com as metas aprovadas pelo Comitê do Itajaí, haverá necessidade de investimentos públicos no tratamento de esgoto sanitário, maior controle do uso e da ocupação do solo, a melhoria contínua da eficiência do tratamento de efluentes industriais e outras medidas. É um esforço coletivo pelo bem comum, e somos parte dele”, justifica.

O que é o projeto?

A consultora do Comitê do Itajaí, Rubia Girardi, explica que a proposta aprovada em primeira instância trata-se da efetivação do Enquadramento dos Corpos Hídricos da Bacia Hidrográfica do Rio Itajaí. Tal projeto está em andamento há quatro anos. “Essa proposta vem sendo trabalhada desde 2016, teve um termo de outorga assinado com a Fapesc, um convênio firmado da Secretaria do Desenvolvimento Econômico Sustentável (SDE) na figura da Diretoria de Recursos Hídricos e Saneamento com a Furb, o coordenador do projeto é o professor Dr. Adilson Pinheiro”, conta.

O estudo teria começado com levantamento de dados sobre a qualidade da água, com a realização de um diagnóstico em baixa vazão como referência e que normalmente ocorre durante poucos dias no ano. O projeto utilizou quatro parâmetros de qualidade. “Em cima disso, a gente fez cenários futuros, trabalhamos com horizontes 2025, 2030, 2035 e 2040 e aumentando na mesma projeção através de dados do IBGE, o número da população e fomos projetando como ficaria a qualidade de água nesses cenários. A qualidade de água é regida por pela Resolução 357 do Conselho Nacional de Recursos Hídricos, e ela sempre relaciona o uso da água com uma classe. Então existe uma classe especial e a classe 1,2, 3 e 4, quanto maior o número pior a qualidade da água e existem alguns usos que requerem qualidade mínima para que possa ser utilizada. Na simulação até 2040, apareceram alguns rios que não se enquadravam nas melhores classes e classificação 3 e 4 é um grande problema para o abastecimento público”, afirma.

Ela diz ainda que além de problemas com o abastecimento público, no caso da Bacia do Rio Itajaí, outros usos seriam afetados, como: irrigação, aquicultura e criação animal. “A gente fez esses cenários futuros, verificou os pontos que ficaram problemáticos e demonstramos isso. Também previmos o aumento do esgotamento sanitário que é bastante relevante e a necessidade do investimento para 80% de atendimento do esgoto sanitário. Então a gente conversou, fizemos cinco oficinas onde foram chamados todos os membros do Comitê do Itajaí, os usuários de água e outros interessados, como os órgãos licenciadores para discutir os pontos que mesmo com o saneamento ficaram com classe 3 e 4 na simulação, foi chegado num acordo e foram propostas medidas para atingir uma meta”, esclarece.

Os custos para implantação universal do tratamento universal do esgotamento sanitário da Bacia Hidrográfica do Rio Itajaí que deverá proporcionar a manutenção da classificação de água em 1 e 2 é calculado em R$2.144.555.122,00. A distribuição dos valores, de acordo com proposta seria gradual, nos anos simulados. “O valor seria utilizado em tratamento de esgoto, as concessionárias de água, juntamente aos municípios terão que buscar recursos junto ao Governo Estadual e Federal para melhorar os sistemas de tratamento e implantar os sistemas de esgoto nas cidades. Os investimentos, na sua grande maioria virá do setor público porque a concessionária quando busca esse recurso, vai ter esse custo a mais e vai precisar repassar também na tarifa e quem vai pagar de forma indireta é a população”, finaliza o presidente do Comitê Itajaí, Odair Fernandes.