Alto Vale
Foto: Helena Marquardt

Reportagem: Cláudia Pletsch/DAV

O Tribunal Superior do Trabalho (TST) julgou o dissídio coletivo e definiu que os trabalhadores dos Correios, que estavam em greve em todo o país desde o dia 17 de agosto retornassem ao trabalho nessa quarta-feira (23). Em Rio do Sul os servidores retomaram as atividades no Centro de Distribuição depois de assembléia do Sindicato dos Trabalhadores na Empresa de Correios e Telégrafos e Similares de Santa Catarina (Sintect).
A greve nacional seria motivada pela revogação do atual Acordo Coletivo que estaria em vigência até 2021 e foi suspendido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) à pedido dos Correios. A empresa alega que com a decisão faria uma economia de R$ 800 milhões ao ano, valor que bastaria para em três anos, cobrir o prejuízo de R$ 2,4 bilhões que acumula. O TST aprovou apenas um reajuste de 2,6% para os trabalhadores e determinou que os funcionários deveriam retornar ao trabalho e compensar metade dos dias parados. Já a outra metade seria descontada.

Mas conforme nota divulgada pela Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect) a decisão não agradou, já que segundo a entidade os benefícios retirados do trabalhador totalizariam 40% do valor do salário. “Essa decisão representa mais um ataque aos direitos da classe trabalhadora, e um retrocesso a nossa categoria. É mais uma mostra de como o Judiciário se mantém servil ao patronato, atuando de forma político partidária, e se mantendo distante do propósito de justiça e dignidade à classe trabalhadora”, disse José Rivaldo da Silva, secretário-geral da Fentect.
Já os Correios divulgaram nota lamentando a paralização, e alegam que seus colaboradores não podem contribuir para a falência ou acumulação de prejuízos da empresa. “Em contraposição, os sindicatos exigiram a manutenção dos termos determinados no dissídio anterior, recusando-se a abrir mão dos privilégios concedidos em tempos de prosperidade ou, ainda, como solução para findar greves que corroessem o caixa da empresa de forma irreversível. Sobre o assunto, a empresa defende ser imprescindível que acordos coletivos reflitam o contexto em que são produzidos. Ao mesmo tempo em que devem manifestar a disponibilidade da empresa em repartir lucros com seus empregados, não podem contribuir para a sua falência ou a acumulação de prejuízos”, alegou.

Relembre o caso

De acordo com a Fentect a revogação do atual acordo retirou 70 cláusulas de direitos como: 30% do adicional de risco, vale alimentação, licença maternidade de 180 dias, auxílio creche, indenização de morte, auxílio para filhos com necessidades especiais entre outros. Além disso, segundo a entidade, o descaso e negligência com a saúde e vida dos trabalhadores na pandemia da Covid-19 e a privatização dos Correios também é uma motivação para a greve.
Os Correios declararam em nota que com a revogação do acordo a empresa faria uma economia de R$ 800 milhões ao ano, valor que bastaria para em três anos com fluxo estável de receitas, cobrir o prejuízo de R$ 2,4 bilhões que a empresa acumula.