Alto Vale, Segurança
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Claudia Pletsch/DAV

O mês de agosto chega repleto de campanhas sobre a violência contra a mulher, as campanhas são voltadas não somente a conscientização, mas também para a divulgação de locais e meios de comunicação para buscar ajuda. Em 2019 o Brasil ocupava o 5º lugar no ranking de mortes violentas de mulheres em todo o mundo, e segundo a Secretaria de Governo Federal, por volta de doze pessoas são vítimas de feminicídio (assassinato de uma mulher cometido por razões de desprezo ou menosprezo ao sexo feminino; crime de ódio) diariamente, além disso são contabilizados mais de meio milhão de casos de estupro por ano no país, apenas 10% chegam à justiça.

Em meio a tanta desesperança, muitas mulheres não sabem onde buscar ajuda e acabam deixando de lado sua vida submetidas a um relacionamento abusivo e tendo que suportar os preconceitos da sociedade. Em Rio do Sul, a violência pode ser denunciada em diversos locais, além do número 180, que pode ser utilizado em todo o país 24 horas por dia especificamente para denúncias de violência contra a mulher, o município ainda conta com o a Delegacia de Proteção à Criança ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso (DPM) que pode ser contatada para denúncias de violência. O Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (CMDM) também pode ser contatado, já que trata dos direitos das mulheres e da participação da mulher na política.

Além desses locais de apoio o município ainda conta com o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), que é um centro especializado em atender a todos os tipos de violências, seja violência contra mulheres, idosos, crianças, adultos ou deficientes.  Segundo o Chef da Proteção Social Especial, Julio Cesar Alves, o Creas atende muitos casos de violência contra a mulher de toda região, e são tantos casos que existem até filas de espera para o atendimento “O Creas atende todos os tipos de violência, e dentro desses atendimentos as mulheres são um número bem alto, o segundo maior número de casos de violência atendidos são de mulheres, a gente tem muitos casos de violência na região, os casos vem dos mais variados lugares, ou o CRAS encaminha, ou o posto de saúde, ou o Conselho tutelar identifica uma mulher vítima de violência, ou direto da delegacia eles encaminham as mulheres para procurar o CREAS. Infelizmente a gente tem fila de espera, são muito casos e as vezes a gente não dá conta de atender a todos”, explica.

Julio ainda explica que o CREAS elabora um Plano Individual de Atendimento (PIA) para cada caso que chega solicitando ajuda, esse plano individual é para entender qual o tipo de necessidade que a mulher tem, e qual o tipo de ajuda que ela vai precisar “Chegando no Creas a mulher vai ser acolhida pela nossa coordenadora que vai fazer a triagem e os orientações, posteriormente ela vai ser atendida por uma dupla de psicóloga e assistente social, que é o atendimento psicossocial que a gente fala. Elas também recebem orientação jurídica, sobre separação, guarda dos filhos e medida protetiva. A gente faz toda a inserção até no mercado de trabalho, cursos essas coisas assim. A gente trabalha muito em rede, junto a delegacia especializada (DP-CAM), junto ao ministério público e o conselho tutelar”, comenta.

 

Mulheres que inspiram

Babara Penna é uma gaúcha de 26 anos, ativista dos direitos das mulheres, mas a forma que fez ela entrar nesse universo não foi a melhor. Em 2013 a história dela ficou conhecida em todo o país após ser espancada por seu ex-companheiro e pais dos seus filhos, Barbara ainda teve 40% do corpo queimado e foi arremessada do terceiro andar do prédio em que vivia. Nessa data, ela perdeu os dois filhos, um menino de três meses e uma menina de dois anos no incêndio causado no apartamento pelo agressor. Na ocasião, um vizinho que tentou ajudar Barbara e os filhos também morreu em decorrência do incêndio. Desde então Barbara já passou por mais de 230 cirurgias reparadoras, além de ter passado 38 dias em coma, mas a maior dor é a de ter perdido os dois filhos.

O agressor, e pai das crianças foi condenado a 28 anos de prisão. Hoje Barbara é ativista da causa das mulheres, promove palestras e atendimentos á mulheres que procuram ajuda e orientação baseadas em sua história trágica. Além disso, Bárbara também pede melhorias na Lei Maria da Penha através de uma petição que pode ser assinada pela internet. Entre as exigências de mudança estão a retirada do endereço da vítima do boletim de ocorrência para seu agressor, a exigência de um profissional de psicologia em cada delegacia da mulher para atendimento imediato da vítima e para averiguação de falsas denúncias, estabelecer a obrigatoriedade de cada Estado da Federação à construção de uma casa de atendimento da mulher (Casa da Mulher Brasileira).

Histórias de vida

As histórias das vítimas são as mais variadas, em Rio do Sul conversamos com duas vítimas que sofreram agressões psicológicas durante anos. A violência psicológica pode ser considerada tão grave quanto a violência física, ela também mata, e muitas vezes deixa traumas que perduram pelo o resto da vida. As duas vítimas relataram histórias bem parecidas, as histórias contam acerca de separações nas quais o parceiro deixou as deixou com diversas dívidas, que a vítima não sabia da existência. Além disso, as acusações de problemas psicológicos e a perda da guarda dos filhos, mesmo tendo laudos psicológicos mostrando que a vítima estava em perfeita condição psicológica também foram pauta dos relatos das vítimas, elas relatam que muitas mães perdem a guarda dos filhos pois é comum as mulheres serem taxadas de loucas pela sociedade.

 

Onde buscar ajuda

Conselho Municipal do Direito da Mulher

Rua Verde Vale, 77. Canta Galo. Rio do Sul/SC. CEP: 89.163-077

Fone:
(47) 3522.2700 (47) 3525.4084

Delegacia de Proteção à Criança ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso

Rua Bulcão Viana, 292 – Jardim América/CEP: 89160-000

Fone: (47) 3531-6730

Centro de Referência Especializado de Assistência Social-CREAS

Rinaldo Mezadri, 86 – Canoas, Rio do Sul/ CEP: 89140-000

Fone: (47) 3521-8546

Delegacia de Polícia Civil

Bulcão Viana, 282 – Jardim América, Rio do Sul – SC/ CEP: 89160-000

Fone: (47) 3531-6700