Alto Vale
Foto: Divulgação

Reportagem: Helena Marquardt/DAV

Agricultores da região da Cebola bloquearam a SC-110 na tarde desta quinta-feira (9) na localidade de Bela Vista em Ituporanga. A manifestação é contra as operações realizadas por auditores fiscais do trabalho, Polícia Federal e Ministério Público do Trabalho. No protesto os produtores alegaram abusos cometidos pelas equipes e afirmaram que têm se sentido prejudicados. Eles planejam ainda novas manifestações inclusive na BR-470.

Almir Schäfer, mais conhecido como Titi, é produtor de cebola há mais de 40 anos e foi um dos manifestantes. Ele afirma que tem atualmente 38 funcionários, mas assim como outros agricultores encontra dificuldade em fazer o registro dos trabalhadores. “Eles vêm para trabalhar alguns dias e não querem ser registrados então a maioria dos agricultores acaba não registrando, mas os trabalhadores são bem tratados,  ganham bem  e tem alojamento bom”, disse.

Ele citou ainda que muitos que aceitam ser registrados acabam abandonando o trabalho em poucos dias. “Às vezes o agricultor vai lá e registra, faz exame médico e o trabalhador, fica um dia, não gosta do serviço e vai embora então também temos essa dificuldade. Temos empregado bom, mas também tem empregado ruim”, completou.

Titi acredita que existe excesso nas fiscalizações. “Da maneira como eles vêm já, com quatro cinco carros da Polícia Federal, armados e isso acaba muitas vezes assustando os próprios produtores e os trabalhadores. Todo ano chega por essa época eles vêm e acham defeito em tudo”, opinou

O advogado Djonatan Hasse, que é sócio do Escritório Édio Machado, que representa diversos agricultores que já foram autuados em operações anteriores, afirma que em 2021 está se repetindo o mesmo cenário do ano passado. “Um certo abuso por parte da fiscalização. Os agricultores sempre trataram os seus funcionários com respeito, dignidade, realizando o pagamento dos serviços, no entanto de uma forma sensacionalista a fiscalização acaba criando contra os agricultores uma figura de exploradores, senhores da escravidão, algo que de fato não existe”, disse.

Para ele alguns trabalhadores já vêm para a região mal intencionados. “Já com esse objetivo de obter algum tipo de vantagem indevida, ou então vem para a agricultura, para a plantação de cebola acreditando que é uma forma fácil de ganhar dinheiro e quando chega aqui vê que precisa ser muito trabalhado como fazem os agricultores e os filhos dos agricultores. O manifesto que acontece hoje em Ituporanga é justamente para impedir que novos atos da fiscalização venham a se repetir”, ressaltou.

O advogado declarou ainda que os agricultores não tem como objetivo atrapalhar a aplicação da lei nem impedir a fiscalização. “O que eles querem é um pouco de razoabilidade nessa fiscalização. São pessoas de bem, trabalhadoras que retiram o sustento da agricultura, mas que ano após ano vêm sofrendo os efeitos da fiscalização, efeitos irreparáveis. No ano passado foram gerados processos criminais que até hoje não foram finalizados e não pode-se afirmar que esses agricultores cometeram algum tipo de crime” concluiu.

Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM) não quis se manifestar

O Grupo Especial de Fiscalização Móvel, que realiza as operações na região da Cebola foi procurado pela reportagem para comentar os questionamentos dos agricultores, mas preferiu não se manifestar.