Alto Vale
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Reportagem: Rafaela Correa/DAV

A falta de chuva vem preocupando agricultores de toda a região em relação às perdas na produção. A Epagri/Cepa já estima que as chuvas irregulares e mal distribuídas pelo estado causem perdas de aproximadamente 43% na safra de milho e 30% na de soja.

Ainda de acordo com a Epagri, a estiagem teria iniciado após o dia 20 de novembro, quando mais da metade das lavouras de milho estavam em fase de floração, período sensível à falta de umidade no solo. Além disso, a continuidade desse período de seca e das altas temperaturas pode potencializar ainda mais essas perdas.

A previsão de produção de milho para Santa Catarina, por exemplo, era de 2,79 milhões de toneladas na primeira safra, visto que são cerca de 330 mil hectares de área cultivada, de acordo com o Infoagro. A estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a safra brasileira do milho caiu em torno de cinco milhões de toneladas, sendo que a previsão inicial era de 117,18 milhões de toneladas e agora a estimativa está em 112,9. O preço da saca do milho em Santa Catarina no início de 2022 está em cerca de R$95,00.

Segundo o engenheiro-agrônomo da Epagri/Cepa, Haroldo Tavares Elias, o impacto no rendimento das lavouras muda de região para região, de acordo com a falta de chuva em cada lugar. “A redução da produtividade é muito variável, sendo estimada entre 20 a 80% dentro das microrregiões geográficas. Em várias regiões o efeito da estiagem acarreta perdas na produção acima de 40%”, explica. Para ele, as regiões do Oeste, extremo Oeste e Planalto Norte são as que mais sofrem com a falta de chuva.

Já em relação a safra de soja, as perdas estimadas pela Epagri são de cerca de 30%, também em razão do baixo índice de chuvas. A estimativa inicial de produção era de 2,63 milhões de toneladas para 698 mil hectares de área cultivada.

De acordo com dados repassados pela Epagri, a estimativa brasileira de produção da safra 2021/22 teve um ajuste, passando de 142,79 milhões de toneladas para 140,5 milhões de toneladas, também ocasionada por problemas climáticos adversos a cultura.

As regiões catarinenses onde se concentram a maior área de cultivo são Canoinhas, Xanxerê e Curitibanos/Campos Novos, que somam mais de 55% do total cultivado no estado. Os prejuízos são diferenciados entre as regiões em função do calendário de plantio. A soja de ciclo precoce foi a mais afetada, em função do período crítico da estiagem ocorrer na fase de floração, período mais sensível à falta de umidade no solo. Esses cultivares têm menor tempo de recuperação. As altas temperaturas potencializaram os danos, provocando queima das folhas e encurtamento do ciclo da planta.

O agricultor de Chapadão do Lageado, Alvaro Antônio Correa, conta que apesar de plantar soja em menor quantidade, o grão sempre foi uma boa fonte de complemento à renda, mas que esse ano teme ter prejuízos.

“A gente acaba gastando bastante para plantar e a cada dia que passa sem chuva o medo de perder tudo aumenta. É muito sol e quase nada de chuva, a soja não tem tanto tempo para se recuperar, esse é o medo”, revela.

Alvaro ainda conta que uma das únicas culturas plantadas no terreno é a soja e que aposta tudo nas poucas hectares disponíveis. “As terras são boas, a gente faz o possível para conseguir uma boa produção, trabalha, se dedica, mas infelizmente é assim, se a chuva não vem a produção fica comprometida. Esse ano, tenho certeza que a produção vai acabar sendo prejudicada”, completa.

Falta de chuva

Segundo Epagri, o baixo índice de chuva está relacionado ao “La Niña”, que trata-se de um fenômeno climático que provoca a diminuição da temperatura das águas do oceano pacífico tropical central e oriental e impacta o regime de chuvas. A influência em Santa Catarina e Sul do Brasil são chuvas abaixo do esperado para este período e temperaturas mais elevadas como as que estão sendo registradas nos últimos dias. Em janeiro de 2022, o déficit hídrico se prolonga, caracterizando a anomalia climática.