Alto Vale

As fortes chuvas registradas nas últimas semanas em todo o Alto Vale deixaram um prejuízo superior a R$ 2,7 milhões em Agrolândia. Um levantamento realizado pela Prefeitura e Defesa Civil do Município estimou que só na infraestrutura as perdas chegam a R$ 1,6 milhão. Na agricultura, a história não foi diferente: mais de R$ 1 milhão em estragos.

Boa parte da estrutura do município está comprometida. São mais de 40 pontes com a estrutura danificada, sendo que pelo menos 10 delas foram arrancadas com a força da correnteza. Bueiros, estradas e até o calçamento de algumas ruas também registraram danos. “Mais de 10 pontes foram totalmente levadas pela correnteza da água, era muito forte e acabou levando, deixando então os moradores sem acesso. Inclusive até hoje [terça-feira] ainda tem moradores que não têm acesso as suas propriedades”, conta o secretário-adjunto de infraestrutura, Wagner Galisa.

A frota de caminhões e máquinas da Prefeitura Municipal já está trabalhando nas áreas mais danificadas, para que a rotina da população possa voltar ao normal o mais rápido possível. “As equipes estão trabalhando desde o dia cinco, elas estão trabalhando direto, inclusive sábado estamos trabalhando também para terminar uma das pontes, e aos poucos com certeza a gente vai trabalhar para deixar isso tudo pronto”, declara Galisa.

Apesar das pontes serem prioridade, a Secretaria de Obras também trabalha para reconstruir as estradas vicinais do município, que dão acesso às localidades atingidas pelas cheias. De acordo com Galisa, um levantamento feito pela Administração Municipal apontou que são necessárias duas mil cargas de macadame e cascalho para restaurar os locais danificados.

 

Agricultura

Na agricultura, as perdas nas lavouras e com pastagem ultrapassam o valor de R$ 1,1 milhão. As áreas mais afetadas foram a da piscicultura e o cultivo de feijão, que juntas somam um prejuízo de quase meio milhão de reais. Além disso, também houve danos nas produções de milho e soja do município. “Outra atividade bastante forte na nossa cidade é a produção de leite, que também foi gravemente afetada. Além da pastagem ficar comprometida, muitas famílias não conseguiram escoar a produção, perdendo uma grande quantidade de leite”, relata o vice-prefeito de Agrolândia, Dirceu Leite.

Mesmo com a colheita de arroz concluída, os rizicultores também tiveram prejuízos na estrutura das arrozeiras. Será preciso um investimento de aproximadamente R$ 75 mil para recuperar as áreas perdidas. “Já estamos em contato com o Governo Federal, em busca de uma saída para os agricultores. O pedido é de que as dívidas agrícolas sejam parceladas e, até mesmo, renegociadas”, declara o prefeito de Agrolândia, Urbano José Dalcanale.

 

Situação de Emergência

Por conta das cheias, o Executivo assinou o decreto de Situação de Emergência. A Defesa Civil do Município agora trabalha na elaboração de relatórios das áreas atingidas, e no encaminhamento desses dados para o Ministério da Integração Nacional, através do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2ID).

O relatório inclui documentos, fotos, laudos técnicos e ofícios, e deve ser elaborado minuciosamente. “Temos um prazo de 15 dias a partir da data do registro dos danos para concluir o preenchimento minucioso do relatório com os dados específicos”, explica o coordenador da Defesa Civil municipal, Marcos André Scheller.

O desafio agora é angariar recursos para a reconstrução do município. Segundo o secretário de Infraestrutura, a Prefeitura já está trabalhando para isso. “Nós estamos buscando com a Defesa Civil estadual, a Defesa Civil nacional, e estamos buscando com os deputados. Por ser um valor tão expressivo, infelizmente nós não temos recursos próprios para conseguir fazer esses consertos”, conclui Galisa.

Carolina Ignaczuk