Alto Vale
Foto: Helena Marquardt/DAV

Helena Marquardt/DAV

Com a venda da safra de cebola se encaminhando para o final, os produtores da região do Alto Vale do Itajaí estão preocupados com os preços dos insumos, que são comercializados com base no dólar e também com os constantes aumentos no preço dos combustíveis que estariam trazendo impactos negativos à cadeia e podem comprometer a safra 2021/2022.

O problema, de acordo com o cebolicultor, Jelson Gessner, que reside em Aurora, é com a quebra na produção que provocou uma descapitalização. “Muitos produtores já estão programando a safra 2021/2022 e com uma certa surpresa negativa. Sabemos que a maioria da matéria prima dos insumos agrícolas da cebola é baseada no dólar então tivemos uma elevação muito grande nos preços, principalmente na linha de adubação e defensivos, sem contar que a produção de cebola está fortemente ligada a questão do óleo diesel porque exige uma demanda mecanizada e isso tudo interfere”, avalia.

Ele comenta que a estimativa é que se o setor sofra ainda mais com as altas nos preços daqui para frente. “Viemos de uma safra já com quebra de produção que foi compensada em parte por causa o preço de venda que foi atrativo, mas vamos iniciar essa nova safra com um custo alto porque agora quando estaremos fazendo a compra dos insumos eles estão caros e lá na frente na hora de vender a gente não sabe como vai ficar”, completa.

Para o setor, a saída seria tentar adotar estratégias que possam diminuir os custos de produção, o que seria o principal desafio dos produtores atualmente.

O cebolicultor de Ituporanga Arny Mohr, que planta cerca de 20 hectares em parceria com os filhos, comenta que essa alta deve trazer um impacto de 30% até 40% nos custos de produção que segundo ele já são elevados. “Teve fertilizante que teve 100% de aumento e o próprio diesel também aumentou muito. Hoje o custo de produção gira em torno de R$ 25 mil a R$ 30 mil por hectare, então o custo de produção do quilo é de cerca de R$ 1,00, mas a gente não sabe nunca a quanto vai vender, nem todo ano é bom”, disse.

Na propriedade dele a semeadura acontece em abril e o plantio em junho, mas depois de uma safra considerada boa, o produtor já se preocupa com o clima e a alta nos preços para a próxima safra.