Alto Vale
Foto: Helena Marquardt

Reportagem: Helena Marquardt/DAV

O Alto Vale vem enfrentando uma onda de furtos em construções que têm trazido prejuízos tanto para empresas quanto para moradores. Na região os criminosos levam desde equipamentos como betoneiras até extensões e alguns locais são alvos dos bandidos por diversas vezes.

O empresário David Alencar da Silva conta que a sua construtora em Rio do Sul já foi vítima de criminosos por cinco vezes. Na primeira delas, em agosto do ano passado, os bandidos levaram da obra da nova sede da Associação dos Municípios do Alto Vale do Itajaí (Amavi) cerca de R$ 7 mil em ferramentas como furadeiras e serra mármore, entre outras. “Elas ficavam guardadas dentro de um container e eles cortaram o cadeado e realizaram o furto. Depois ainda tivemos mais um furto nessa mesma obra este ano”, lembra.

Outra construção que já foi furtada mais de uma vez é a do antigo Sine que vai abrigar o Centro de Atendimento ao Cidadão (CAC). Do local foram levados ferramentas, motor de betoneira e extensões. Outras construções públicas e privadas também foram furtadas e o prejuízo do empresário já ultrapassa os R$ 20 mil. “Acredito que a pandemia tenha agravado a situação, pela falta de dinheiro muitos, até usuários de drogas começam a cometer furtos, mas para quem é vítima é bastante complicado”.

O servidor público Rubens Meslin foi outra vítima em Rio do Sul. Ele teve uma betoneira furtada de sua obra no bairro Fundo Canoas. “Na verdade a betoneira era da empreiteira e custava cerca de R$ 4 mil. Ela estava acorrentada com cadeado e mesmo assim os criminosos cortaram e conseguiram levar o que mostra que é algo mais profissional”, relata.

Ele conta que foi registrado Boletim de Ocorrência quando o crime aconteceu, há quase duas semanas, mas que até o momento não há nenhuma pista sobre os criminosos e acredita que algo precisa ser feito. “Se está tendo uma onda generalizada acredito que deve estar vinculada a pessoas específicas, uma mesma organização criminosa e é uma questão de polícia mesmo e precisamos intensificar essa situação”, disse.

Polícia Civil fala em dificuldade nas investigações por falta de informações

Em nota enviada ao Diário do Alto Vale, a Delegacia de Polícia da Comarca de Rio do Sul afirmou que todos os crimes ocorridos na cidade e registrados , seja de forma presencial ou virtual, são devidamente investigados na tentativa de identificar a autoria do delito, bem como para reaver o bem ou objeto subtraído.

Sobre os furtos ocorridos em construções, a Polícia declarou que a investigação por vezes é prejudicada devido à falta de testemunhas, indícios ou câmeras de monitoramento, informações essenciais para o desenvolvimento da investigação. Outro fator que estaria dificultando a identificação da autoria desses crimes é o lapso temporal em que ocorrem, normalmente entre um expediente e outro, ou ainda, durante o final de semana, dificultando exponencialmente a especificação do horário do crime, e dessa forma, a continuidade das investigações.

O órgão informou ainda que é preciso tratar da receptação, que também é um crime, mas que muitas pessoas ainda negligenciam. “Assim como equipamentos utilizados em construções, diversos outros objetos são subtraídos, tais como tvs, smartphones, notebooks, bicicletas e outros, e as pessoas compram sem saber a procedência, sem nota fiscal e com um valor muito abaixo do mercado, e isso acaba fomentando a criminalidade”.