Alto Vale
Foto: Divulgação 2019

Reportagem: Cláudia Pletsch/DAV

Falta de acessibilidade, dificuldade no desenvolvimento escolar, no trabalho e na sociedade foram alguns dos fatores que motivaram a fundação da Associação dos surdos do Alto Vale do Itajaí (Asavi) no mês de agosto desse ano. O grupo que abriga as 27 cidades do Alto Vale do Itajaí já conta com cerca de 60 pessoas e tem como objetivo garantir a qualidade de vida e o cumprimento de legislações para a comunidade surda.

A presidente da Asavi, Mariléia Pandini, explica que a ideia de fundar a associação surgiu dentro da família, já que o filho Ian de 18 anos é surdo, e conviver com as dificuldades dele fez com que ela conhecesse outras histórias, relatos que trouxeram a vontade de juntar forças para o acolhimento dessas pessoas. “Convivo na comunidade surda há mais de 15 anos e nesse decorrer aceitei a libras como primeira língua do meu filho e me dediquei a aprender libras como minha segunda língua, no entanto percebi que precisava ir além e contribuir para a fundação de uma associação para surdos, então desde 2019 começamos um chamamento de pessoas surdas, familiares, amigos e intérpretes de libras, realizamos encontros e percebemos que houve interação e oportunidade das pessoas apresentarem suas dificuldades como pessoas surdas”, relata.

Mariléia ainda explica que um dos maiores desafios foi fundar a associação durante a pandemia, pois o grupo já existia no ano de 2019, mas foi nesse ano que a associação ganhou vida. Além disso, ela conta que mesmo não podendo realizar encontros presenciais, o grupo se juntou de forma on-line e tornou real o sonho da associação. Agora o trabalho é de orientação para o desenvolvimento de atividades na sociedade e para a inclusão no mercado de trabalho. “Alguns dos nossos objetivos é orientar e defender as legislações pertinentes à comunidade surda, desenvolver atividades socioculturais, esportivas, educacionais e recreativas, também divulgar e valorizar a língua brasileira de sinais (Libras), além de promover a interação dentro da sociedade e orientação para o mercado de trabalho. Temos também o intuito de firmar parcerias com instituições de ensino, órgãos públicos e privados. Hoje estamos estudando projetos, buscando parcerias e promovendo cursos on-line de libras para os associados e também começamos com a orientação aos surdos para entrar no mercado de trabalho”, revela.

Das 60 pessoas que hoje fazem parte do grupo, 35 são surdos e 30 são ouvintes que geralmente são amigos, familiares, intérpretes e até professores de libras. A presidente ressalta ainda que somente com a convivência no grupo e entendendo as dificuldades que a pessoa surda passa todos os dias é possível saber como lutar pela representatividade. “A associação é de suma importância para a comunidade surda, para seu desenvolvimento, construção de conhecimento crítico e enriquecimento da cultura surda, um local onde eles podem se sentir representados e acolhidos, onde se defende os direitos linguísticos, interesses e objetivos comuns compreendendo que é possível encontrar soluções melhores para os conflitos que a vida em sociedade impõe. Na associação também se entende que a luta da pessoa surda não pode ser solitária e sim um grupo forte para divulgar e reforçar a luta mostrando que todos são iguais perante a lei”, conclui.

A associação ainda não tem uma sede física, mas a presidente explica que parcerias estão sendo firmadas e que em breve devem ter um local para dar continuidade nas atividades de forma presencial. Para entrar em contato com o grupo é possível encaminhar um e-mail para: associacao.asavi@gmail.com.