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Reportagem: Helena Marquardt/DAV

Depois de mais de um ano de investigações, o empresário rio-sulense Amandio João da Silva Junior, que foi um dos alvos da operação Pleumon realizada pela Polícia Federal com autorização do Superior Tribunal de Justiça por suposta ligação com os empresários que venderam os 200 respiradores ao Governo de Santa Catarina por R$ 33 milhões, foi inocentado e em uma carta aberta fez um desabafo nas redes sociais.

O empresário foi secretário da Casa Civil por um curto período e chegou a ser apontado como uma espécie de “lobista” da Veigamed quando ainda nem fazia parte do governo. Segundo denúncias feitas na época, ele teria feito a articulação para influenciar no processo de compra de insumos para o combate a pandemia com indícios de que receberia uma comissão de 3% sobre o valor total do contrato caso conseguisse evitar o cancelamento da compra pelo Governo, no entanto o Ministério Público estadual entendeu que não havia provas de que isso tenha de fato ocorrido e optou por não denunciar Amandio por qualquer crime.

Em uma carta aberta o ex-presidente da Associação Empresarial de Rio do Sul (Acirs) afirmou que desde seu afastamento da Casa Civil em junho de 2020 optou pelo silêncio e se colocou a disposição das autoridades para esclarecer os fatos. “Em mais de um ano de investigação minha vida foi revirada e devassada pelo aparato estatal. Ocorreram quebra de sigilo telefônico, bancário e fiscal. Figurei nas capas de jornais, no rádio, na televisão, nas redes sociais, nos aplicativos de trocas de mensagens”, desabafou.

No documento ele comentou ainda que foi julgado e condenado injustamente por diversas pessoas. “Para um pai, ser a inspiração, ser referência é um dos maiores orgulhos e legados de uma vida. Nos últimos meses tudo que construí neste sentido pareceu ruir e virar pó diante das injustas acusações de participação no escândalo da compra dos respiradores, em Santa Catarina. A sensação de ser julgado, de ser condenado por algumas pessoas, mesmo seguro da lisura dos meus atos é avassaladora”, afirmou.

O empresário declarou ainda que como cidadão deseja que o caso seja elucidado e que os recursos sejam devolvidos e que a verdade deve e precisa prevalecer. “Não apenas para condenar os responsáveis, mas para devolver, no mínimo a dignidade a quem for inocente. A vida me mostrou o que é trabalho, honestidade, solidariedade e cumplicidade. Que estes valores também sejam parte do meu legado. É hora de virar a página e seguir em frente”, finalizou.