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Foto: Divulgação

Helena Marquardt/DAV

Caso seja possível que as cidades façam a compra direta da vacina contra a covid, o Alto Vale tem interesse de adquirir quase 120 mil doses do imunizante. Foi o que apontou um levantamento feito pela Associação dos Municípios do Alto Vale do Itajaí (Amavi) após pedido da Federação Catarinense dos Municípios (Fecam) que tem encabeçado um movimento para ampliar a cobertura no estado e defendido a compra coletiva feita pelos governos municipais.

A presidente da Amavi, Geovana Gessner comenta que cada associação de Santa Catarina fez o levantamento de quantas doses seriam necessárias e quantas vacinas as cidades teriam interesse de comprar caso essa possibilidade seja confirmada. Ela revelou que nesse momento a melhor opção seria a Sputnik V, fabricada por um laboratório Russo e que custaria U$ 17 a dose, o que equivale a R$ 93,50. “É um valor bem expressivo e o levantamento apontou que daria 117.265 doses para o Alto Vale. Mas todas as tratativas da Amavi com a Fecam são importantes para buscar alternativas tanto pela situação de saúde que estamos passando quanto pela situação econômica. A vacinação está muito lenta e não estamos atingindo todo mundo que está na linha de frente”, opina.

A emedebista revelou que as cidades utilizariam parte do recurso que foi enviado aos municípios para o combate a covid. “Nós estaríamos utilizando desse valor que sobrou para que possamos comprar doses da vacina. Não é um recurso livre então nada mais justo que a gente utilize na aquisição de vacinas. Todos os 28 prefeitos do Alto Vale estão de acordo e mesmo aqueles que não tem mais recursos sobrando, estariam dispostos a fazer o investimento”, opina.

A vacinação seguiria critérios definidos pela Fecam em parceria com os municípios. “O primeiro critério que nós usaríamos é vacinar professores, merendeiras e motoristas que estão na linha de frente para que as aulas não parem, mas ainda vamos definir todo o público alvo. Ainda seria pouco mas é um começo”, disse.

Geovana comentou ainda que outros critérios serão criados para que as cidades possam estar imunizando o maior número de pessoas, além daquelas que já são vacinadas pelas doses enviadas pelo Governo Federal e que estão nos grupos prioritários.

Questionada sobre os entraves para a compra pelos municípios a presidente da Amavi diz que a Fecam ainda analisa essa possibilidade junto ao Tribunal de Contas e Departamento Jurídico da entidade para verificar se essa aquisição é permitida pela lei e acredita que esta etapa burocrática deve ser vencida em até 10 dias. “Para efetuar a compra teremos que fazer três orçamentos, então pode ser outra marca, mas falamos hoje na Sputnik porque é a que tem a maior quantidade de doses prontas e que poderiam ser comercializadas. Mas estamos vencendo a etapa burocrática e faremos tudo dentro da lei porque nós enquanto gestores queremos achar uma solução e não mais um problema”, disse.

Eficácia da Sputnik é de 91,8%

O consultor em saúde da Fecam, médico especialista em saúde pública, Jailson Lima, destaca que a Câmara Brasil-Rússia tem relação direta com o fundo de investimentos que patrocinou e subsidiou todo o investimento em pesquisa no Instituto Gamaleya, que produziu a vacina Sputnik. “Essa vacina tem 91,8% de eficácia. A partir do momento que você aplica a vacina Sputnik significa que 91,8 % das pessoas não terão a doença e apenas o restante poderá ter a doença”, explica Lima.

O consultor da Fecam lembra que mesmo que o Governo Federal, via Ministério da Saúde, compre todas as vacinas da Sputnik produzidas no Brasil, não haverá vacinas o suficiente neste ano para imunizar todos os brasileiros dos grupos de risco do Plano Nacional de Imunização. “Se conseguirmos acelerar a aquisição de vacinas, será muito importante”, acrescenta Jailson.