Alto Vale
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Reportagem: Rafaela Correa/DAV

O mel com floração predominante silvestre da Casa do Mel, de Presidente Getúlio, é o primeiro de Santa Catarina a conquistar o Selo Arte. A solenidade de entrega acontece na tarde desta quarta-feira (12), na Casa do Mel que fica na propriedade da família Froelich, no Caminho Boa Vista.

O Selo Arte é um certificado que assegura que o produto alimentício de origem animal foi elaborado de forma artesanal, com receita e processo que possuem características tradicionais, regionais ou culturais. Neste caso, a tradição que atravessou gerações também foi relevante. “Eu sempre fui atrás da regulamentação do produto. A produção começou em 1950, com o meu avô. Ele ganhou uma caixa do vizinho e deu continuidade ao trabalho. Meu pai acabou aumentando e conseguiu expansão estadual. Há quatro anos eu saí da empresa onde trabalhava para trabalhar com o mel”, conta o produtor Heinrich Froelich da Casa do Mel.

Para ele, receber oficialmente o Selo Arte representa garantia no aumento das vendas tanto no Alto Vale quanto em outras regiões do Brasil. “Eu fui atrás porque apareceu um pessoal de São Paulo que queria mel também e como a inspeção é estadual não podia estar vendendo. Acabei solicitando o Selo Arte, fiz todas as adaptações recomendadas para poder vender para fora também. Vai agregar valor porque além de vender para fora ele é uma certificação de que o produto é artesanal e a procura é grande por esse tipo de produto”, comenta.

Para receber o selo, é necessário cumprir todas as normativas estabelecidas pela Cidasc. Entre os pré-requisitos estão as boas práticas agropecuárias, higienização, análise laboratorial. Os acompanhamentos instrutivos no local vão continuar e, a partir de agora, o mel fabricado na propriedade da família Froelich poderá ser comercializado em todo o território nacional. “Tivemos que enumerar caixas, fazer manuais de boas práticas agropecuárias, é uma questão de documentação porque nós já fazíamos tudo, só não documentávamos”, esclarece.

Hoje, eles possuem na propriedade 350 colmeias. A produção é totalmente familiar e a única fonte de renda é a venda do mel. Ao todo, essa safra produziu cerca de 10 mil quilos. “Minha esposa também ajuda e os filhos já gostam e até querem ajudar também. Produzimos em média 14 mil quilos no ano passado, mas esse ano a safra foi um pouco mais fraca, só uns 10 mil quilos. Cada quilo custa cerca de R$20”, explica.

Há muitos anos atrás, as vendas eram informais. Quando o pai de Heinrich assumiu a produção tratou de legalizar tudo para poder ampliar a renda. Hoje o produto está disponível tanto em potes quanto bisnagas, nos supermercados. Algumas pessoas também vão até a propriedade.
Questionado sobre o diferencial do produto, o apicultor responde que uma das vantagens é a região em que vivem. Como o local é montanhoso, as grandes plantações não são viáveis e os agrotóxicos não são usados em maiores quantidades aos arredores. “Não temos certificado orgânico porque o custo é alto, mas todas as análises feitas pelo Ministério da Agricultura mostraram que não há nada de agrotóxicos ou drogas veterinárias. Além disso é uma questão familiar, quase 100% da renda vem do mel”, ressalta.

O reconhecimento para recebimento do selo também se deve ao empenho da Secretaria de Agricultura, através do suporte e atendimento veterinário. “Este é resultado do trabalho realizado há mais de um ano. Fiscalizamos toda semana para assegurar o cumprimento das normas e a qualidade do produto”, complementa Rafael Casaletti, veterinário da Prefeitura.