Cidade

Reportagem: Helena Marquardt

 

Os voluntários envolvidos na limpeza do rio Itajaí-Açu, que acabou virando notícia nacional após a manobra perigosa de um helicóptero que passou por baixo do elevado José Thomé, vão registrar um boletim de ocorrência para que o piloto também responda judicialmente por colocar a vida de diversas pessoas em risco.
A manobra foi feita há poucos metros de distância dos voluntários e depois da divulgação de vídeos a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) anunciou que está investigando o caso para apontar quem era o piloto e saber se a manobra estava autorizada, já que só poderia ser feita se houvesse uma autorização prévia. Tanto o piloto quanto a empresa que é dona do helicóptero podem ser responsabilizados se a Agência constatar que houve alguma irregularidade.
O estudante de Direito, Leon Areco, era um dos organizadores e 25 voluntários que trabalhavam no mutirão de retirada do lixo. Ele conta que viu a aeronave sobrevoando o rio, mas que ela não tinha nada a ver com a ação. “Notei o helicóptero sobrevoando e depois de alguns minutos ele voltou e começou a pairar sobre o rio gerando muito vento e jogando água em todo mundo que estava trabalhando. Ele ficou pairando por uns 15 segundos, parecia que estava calculando para ver se dava para passar por baixo do elevado e então iniciou o deslocamento”, comenta.
O jovem acredita que a manobra poderia ter danificado a estrutura da ponte, que tem 14 metros, causado danos ambientais e até a morte de diversas pessoas caso um acidente tivesse acontecido. “Se batesse na ponte a estrutura poderia ceder, os estilhaços poderiam atingir as pessoas e termos outras fatalidades, além de um crime ambiental com o vazamento do óleo, sem contar que o combustível de uma aeronave é altamente inflamável. Me parece que foi uma manobra para exibição. A questão aeronáutica já está sendo investigada mas vamos fazer também o boletim de ocorrência para um inquérito civil ”, opinou.
A reportagem procurou o proprietário da empresa Proaço, que está registrada junto a Anac como a operadora da aeronave, mas ele não atendeu as ligações e nem retornou as mensagens. A reportagem procurou, ainda, a Assessoria de Imprensa da Anac que informou que a Agência interditou a aeronave ainda no sábado (16) e abriu um processo de investigação, mas que não há um prazo para que ele seja concluído. O processo ainda é sigiloso e a Anac não informou se o piloto já foi identificado.

Episódio tirou foco, mas limpeza do rio foi um sucesso

Apesar do episódio com o helicóptero ter tirado o foco da ação voluntária que acontecia graças ao envolvimento de várias entidades e até do Poder Público, os voluntários cumpriram a missão com sucesso e retiraram do rio dezenas de sacos de lixo, 80 pneus, bicicleta, sofá cama e até um aparelho de ar-condicionado.
Leon esclarece que já os carros tinham autorização para estarem no rio para ajudar na retirada, o que também acabou gerando alguns questionamentos. “Recolhemos aproximadamente 20 sacos grandes de lixo, além de outros objetos maiores”, finaliza.