Alto Vale
Foto: Marcos Limoti

Reportagem: Rafaela Correa/DAV

O esporte é uma área que vem revelando muitos talentos na região do Alto Vale, em diversas modalidades. Em Salete, um árbitro está se destacando no cenário mundial de basquete e já obteve diversas conquistas em competições importantes fora do Brasil, como Chile, Argentina e Estados Unidos.

A história de Alan Tiago dos Santos no basquete iniciou aos 14 anos de idade, incentivado por alguns amigos que foram ensinando jogadas.Depois de algum tempo, os amigos que já jogavam o convidaram para jogar em Rio do Sul, onde conseguiu uma bolsa de estudos.

“Fui morar em Rio do Sul, conciliava os treinos das categorias de base com o do adulto do Professor Jorge Matão, lembro que minha mãe e meu pai não tinham muitas condições pra me manter lá, eles pagavam o aluguel e me davam um dinheirinho pra me virar, daí levava comidas de casa e cozinhava durante a semana e toda sexta voltava pra casa com a van que levava os alunos pra faculdade e retornava no domingo com a mesma van, aproveitava que não pagava nada pra ir e voltar. Foi assim durante dois anos e meio até me formar no Ensino Médio”, lembra.

Depois disso ele se afastou dos jogos durante um ano porque a equipe adulta não estava mais realizando treinos, então ele começou a trabalhar, se mudou com a mãe para Piçarras e procurou lugares para jogar basquete. “Comecei a trabalhar em uma loja e passei a procurar lugares pra jogar basquete, até que achei uma equipe em Piçarras, mas era feminina e apenas de base, o professor Oswaldo era o técnico, e me indicou um professor em Itajaí que trabalhava com o masculino, depois de um dia de trabalho fui pra Itajaí, treinei com eles e no final do treino o treinador da equipe veio conversar comigo, que tinha gostado do meu jogo e que iria agregar bastante na equipe, mas era uma equipe sub-17 e eu já tinha 18 anos, então não poderia jogar com eles”, conta.

Foi aí que o treinador o indicou uma equipe em Camboriú que estava iniciando um projeto. Ele foi e jogou por três anos. A equipe jogou e ganhou campeonatos importantes, mas infelizmente se desfez. Então Alan decidiu iniciar uma faculdade de Educação Física, no primeiro ano já deu aulas em escolas da região.

“Por um bom tempo conciliei a faculdade, os treinos de basquete em algumas equipes da região e o trabalho nas escolas. Já conhecia um árbitro que apitava jogos, além de já apitar em alto nível aqui no Brasil, foi ele quem me convidou para apitar, sempre me chamava para fazer os jogos na região que não eram oficiais, e eu aprendi muito nessa época e aproveitava para ganhar um dinheiro extra. Só fui fazer o curso oficial de arbitragem em 2016, na cidade de Joinville. Passei no teste, só que não comecei a atuar na Federação naquele ano, ainda jogava e estava num ano incrível, jogando basquete 3×3, disputando vários campeonatos nacionais, e ficamos em segundo no campeonato brasileiro de 3×3, classificando para o World Tour, campeonato mundial de clubes da modalidade, então fomos para o México, e lá ficamos em terceiro colocados, jogando a semifinal contra a equipe de Chicago dos Estados Unidos”, comenta.

Ele afirma que voltou das competições animado e logo foi convidado para jogar na equipe profissional de Brusque, onde disputou a Liga de Ouro.

“Naquele ano, enquanto jogava em Brusque fui convocado pela primeira vez para apitar um jogo oficial na Federação, mas não fui no jogo para apitar, pois não vi que tinha recebido o e-mail com a escala, então fui suspenso por trinta dias por não comparecimento ao jogo. Passado isso fui dispensado da equipe de Brusque, pois havia acabado o campeonato e não tínhamos classificado para as finais. Então voltei para Camboriú e voltei a receber escalas, fiz alguns jogos aqui no estado, até o então diretor de arbitragem da Federação, Cristiano Maranho, me indicar para um campeonato brasileiro de base, no Rio de janeiro, foi meu primeiro contato com o coordenador da Confederação Brasileira de Basquete (CBB), Vander Lobosco Jr, que hoje é diretor de arbitragem da Fiba Américas. Ele me deu a oportunidade de apitar a final desse campeonato, me deu muitos conselhos e muitas outras oportunidades dentro do projeto que ele estava fazendo na CBB de buscar novos talentos na arbitragem brasileira”, afirma.

Depois do campeonato Alan foi crescendo na modalidade e apesar dos obstáculos conseguiu fazer a prova para clínica de promoção a árbitro nacional, em 2018 e depois a promoção ao internacional.

“Fui pra mais alguns campeonatos brasileiros de base, até ser indicado pela CBB para fazer a clínica para árbitro internacional e compor o grupo de 15 árbitros ativos no país. O coordenador da Fiba na época, Geraldo Fontana, também gostou bastante da forma como eu trabalhava, do meu porte físico e altura, coisa que eles estavam procurando nos árbitros de alto nível no mundo, então me deu algumas oportunidades. De lá pra cá comecei a apitar campeonatos, entrei na lista de árbitros da Liga de Desenvolvimento de Basquete e na lista dos árbitros da Liga Ouro”.

Entre as maiores conquistas na arbitragem estão a entrada para o melhor campeonato do país, o Novo Basquete Brasil (NBB), Liga Sul-Americana de Basquete Feminina em Buenos Aires, na Argentina; apitar jogos da Champions League America também em Buenos Aires e Cordoba, na Argentina; Final do Campeonato Universitário no Chile; Apitar NBA Global Games em Orlando nos Estados Unidos e Qualifier para a Copa do Mundo de Basquete, em Buenos Aires na Argentina

“Sei que tenho muito caminho pela frente e com muita fé, muitos sonhos e ainda com muito mais trabalho, espero chegar um pouco mais longe dentro da arbitragem no Brasil e também em outros países, ou seja, internacionalmente”, finaliza.