Alto Vale
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Reportagem: Cláudia Pletsch/DAV

Com a alta nos preços de alguns itens da cesta básica, surgem também os questionamentos do consumidor quanto ao motivo dessa elevação, em contrapartida os produtores rurais observam uma valorização no momento da venda dos seus cultivos, o que é importante já que o preço dos insumos necessários para a produção também aumentaram. Em todo o estado, o preço do leite chegou a ter uma alta de 30%, já o arroz pode ser encontrado com uma elevação de 50%. No Alto Vale, dois produtores de leite e arroz contam que estão felizes com a valorização do produto, mas que também estão sentindo no bolso o aumento dos preços no mercado.
André Block é produtor de leite na localidade de Serra Canoas no interior de Rio do Sul, e atualmente conta com 11 vacas leiteiras na propriedade, ele produz cerca de 4.000 litros de leite por mês e diz que há cerca de quatro meses vem notando uma valorização na hora de vender o produto. “O leite valorizou bastante, mas não somente o leite, o milho, a soja e o arroz também valorizaram e nessa safra o preço está bom para o agricultor, mas aumentou também o valor dos insumos. Para o leite mesmo, a ração foi o que mais teve aumento, mas mesmo com esse aumento o leite valorizou bastante e trouxe um pouco mais de renda”, avalia.
Ele conta que atualmente ganha R$ 1,90 por litro de leite, mas há cerca de quatro meses vendia o produto por R$ 1,20 o litro. O milho é outra cultura plantada na lavoura do André. Ele conta que nesse grão a valorização foi ainda maior. “No meu ponto de vista, ano passado eu paguei em torno de R$ 84o saco de adubo e vendi minha produção de milho por cerca de R$ 37 a saca, esse ano estou pagando R$ 98,00 o adubo mas estou ganhando R$ 50,00 a saca então deu o aumento dos insumos, mas ainda bem que o produto foi valorizado”, explica.
Apesar de estar feliz com valor destes cultivos, André diz que o aumento no supermercado pesou no bolso. “Nós também sentimos no bolso, a gente vai no mercado fazer uma compra que dava R$ 300,00 agora não baixa de R$ 500,00 isso comprando os mesmos produtos, então nós também sentimos na pele”, avalia.
O maior vilão do mercado atualmente é o arroz, o grão que não pode faltar na mesa do brasileiro chegou a dobrar de valor em alguns pontos de Santa Catarina. O aumento do preço se dá pela grande quantidade de exportação para países orientais, aumento do consumo durante a pandemia, além de outros fatores. No interior do município de Pouso Redondo, na localidade de Rio de Traz, a produtora de arroz Iris Moratelli da Silva faz o plantio de cerca de 90 hectares do grão junto com o esposo e o filho, ela conta que assim como acontece com o leite, a valorização do produto agrada muito, mas o valor dos insumos também aumentou. “Nós estamos vendendo o arroz a um preço bem melhor, dobrou o preço que estão pagando para a gente, mas os valores dos insumos também dobrou, antes eu comprava o saco de ureia a R$ 70,00 agora tem saco de ureia a R$ 97,00. O preço que nós estamos vendendo o arroz subiu, mas faz anos que o valor que gastamos para produzir e o preço que vendemos vem empatando, nós somos teimosos e permanecemos produzindo, então com essa alta deu um fôlego maior”, avalia.
Iris ainda explica que há cerca de três meses a família vem observando o aumento no valor, antes ela vendia a saca de 50 quilos por R$ 42,00 e agora está vendendo a R$ 85,00 a saca. Apesar de estar feliz com a valorização, ela diz que a preocupação agora é com o próximo ano. “Minha preocupação é com o ano que vem, pois provavelmente com a alta do preço os produtores vão plantar mais, mas agora as pessoas estão comendo mais por causa da pandemia, no próximo ano eu já não sei, pois passando a pandemia pode ser que não tenha tanta exportação, e com isso não sabemos como vai ficar o preço”, finaliza.