Alto Vale
Foto: Dolores Dionísio fabrica produtos em crochê

Cláudia Pletsch/DAV

Um trabalho que transforma vidas e garante renda para muitas famílias: o artesanato faz parte da história de cinco moradoras de Laurentino que desenvolvem produtos através do reaproveitamento de materiais. Todos os dias as artesãs dedicam suas horas à fabricação, mas é no Sábado Feliz que elas se reúnem na praça Clemente Nardelli para a Feira do Artesanato que já se tornou típica no município. Porém, assim como outros setores, a renda das artesãs também foi afetada pela pandemia, e mesmo com a queda nas vendas e até a falta de materiais no mercado elas continuam lutando pela profissão.

Ao comprar uma peça de uma artesã ela sempre chega carregada de histórias. Lúcia Conzatti por exemplo costura tapetes, almofadas e diversos outros produtos com sobras e retalhos. Ela conta que já desenvolve esse trabalho há muitos anos mas que antes era apenas um hobbie e não fazia para vender já que trabalhava na lavoura, mas foi depois de vencer um câncer que ela começou a viver do artesanato. “Antes eu trabalhava na roça aí eu tive um câncer e não podia mais trabalhar no sol, foi ali que comecei a fazer os tapetes pois pensei que teria que inventar outra coisa para ganhar uns trocados. Hoje me divido entre as tarefas da casa, da horta e as encomendas que tenho. Alguns modelos eu copio da internet, outros minha tia me ensinou e as vezes vou numa casa que tem um trabalho diferente e bato fotos para fazer também”, conta.

Lúcia diz ainda que esse trabalho hoje é uma das suas maiores fontes de renda. “Só com a aposentadoria é difícil viver e hoje esse dinheiro serve como complemento. Eu amo fazer artesanato”, diz.

Outra artesã que também tem muita história para contar é Dolores Dionísio. Ela revela que trabalhava como costureira mas que depois de um acidente não pode mais costurar, foi então que o crochê se tornou sua principal fonte de renda. Hoje ela faz bonecos de fuxico e os clássicos tapetes, trilhos de mesa, e outras decorações. “Eu sempre fiz artesanato, trabalhei 40 anos como costureira e aí sofri um acidente e não pude mais costurar aí o crochê e o artesanato passaram a ser minha principal forma de ganhar uma renda, faço isso já há três anos”, conta.

A pandemia afetou as vendas e Dolores diz que hoje precisa da ajuda de amigos e familiares para viver pois não é aposentada. “A gente está se virando, cada mês a gente consegue vender uma coisinha, as vezes tem alguma encomenda, tem vezes que não. A pandemia prejudicou muito”, avalia.
Zenite Mantovani Piccolin também atua no ramo e reaproveita os retalhos, principalmente de jeans, para transformar em tapetes e colchas. Ela mesma inventa as próprias peças e já fabrica mais de 30 itens. “Além da utilizar o jeans reaproveitado eu compro os aviamentos para deixar a peça mais bonita. Um dos produtos que eu mais vendo é um tapete grande fabricado com retalhos em jeans, ele é muito bom para as crianças brincarem no chão pois as vezes é frio e as crianças gostam de brincar no piso frio, assim é só jogar aquele tapete que evita de passar friagem”, explica.

A artesã conta que já desenvolve esse trabalho desde 2003, e também relata a queda nas vendas durante a pandemia. “Antes da pandemia a gente vendia mais, agora tudo ficou complicado, as pessoas estão se contendo pelas compras, alguns tem medo também de sair de casa e por isso a renda caiu pela metade. Ainda bem que a feira me ajuda bastante que eu consegui fazer muitas clientes ali, que tem sempre gente passando e vendo os produtos”, avalia.

Um relato que também preocupa algumas das artesãs é a falta de materiais. Nilce Borgonha faz crochê desde os 12 anos de idade e participa da Feira do Artesanato em Laurentino desde a criação do evento há quatro anos. Ela conta que assim como outros setores foram afetados com a falta de materiais o setor de aviamentos também tem apresentado algumas dificuldades. “Agora com a pandemia sofremos até com a falta de materiais, eu pego direto de fábrica e ano passado em maio eu fiz um pedido de linhas e não veio nem a metade do que eu pedi. Fiz outro pedido faz um mês e veio apenas um fardinho de vários que eu pedi pois estão em falta os produtos”, comenta.

As vendas também baixaram e Nilce diz que está difícil equilibrar as contas. “Agora está todo mundo com medo de comprar. Até as coisas no geral são muito caras e as pessoas estão comprando coisas essenciais e querendo ou não nosso produto não é essencial e é durável então se você compra um trilho de mesa por exemplo ele vai durar uma vida inteira”, relata.

Suelen Medeiros Silva produz sabonetes artesanais, escalda pés, sais de banho, sachês perfumados e shampoos, ela conta que conheceu esse trabalho através de um projeto desenvolvido na Pastoral da Saúde. “Há uns três ou quatro anos atrás eu participava da Pastoral da Saúde, fui presidente da Pastoral e lá a gente fez alguns cursos relacionados a fabricação dos sabonetes artesanais. Hoje já desenvolvo esse trabalho e participo da feira há mais de um ano. No começo foi difícil pois é difícil as pessoas conhecerem esse trabalho, então tive que fazer muito mais a propaganda boca a boca, dar amostras para as pessoas experimentarem e aí umas foram passando para as outras e assim fui criando uma clientela. Hoje tenho uma clientela fixa pois tenho alguns produtos que são relacionados a saúde, como por exemplo o carro-chefe em vendas que é sabonete que combate a acne e até os sabonetes íntimos e o shampoo sólido”, comenta.

Sobre as vendas durante a pandemia, Suelen diz que sentiu a queda no bolso. “Antes da pandemia as vendas eram excelentes, depois da pandemia as pessoas se retraíram bastante nos gastos. A gente sabe que as pessoas estão precisando cuidar com o dinheiro, que está tudo bastante caro principalmente para quem tem família”, diz.

A Feira do Artesanato acontece todo Sábado Feliz na praça Clemente Nardelli em Laurentino e conta com o apoio da Secretária da Agricultura indústria comércio e Turismo.

 

Colcha em jeans fabricada por zenite Mantovani Piccolin

Produtos em crochê fabricados por Nilce Borgonha

Suelen Medeiros Silva fabrica sabonetes artesanais