Alto Vale
Foto: Divulgação

Reportagem: Rafaela Correa/ DAV

Os devotos de Chapadão do Lageado devem receber um presente no próximo mês, é que o escultor de Lages, José Cristóvão Batista, que inclusive é o responsável por outras obras colocadas no município resolveu doar a escultura de 3,5 metros em concreto de Nossa Senhora Aparecida para a cidade. A doação já foi prometida e iniciada em 2019, mas como é um processo demorado só ficará pronta para fazer a entrega em abril.

Batista conta que descobriu o talento para o trabalho quando criança, seu pai Sebastião Batista o incentivou,  pois ele era artesão e ensinava o filho como fazer brinquedos com madeira, argila taquara e até cera de abelha. Tudo isso serviu para despertar o interesse pela arte. A doação foi feita por simpatia e ligação com a região. “Eu sempre tive uma relação de afinidade com Chapadão do Lageado, sou natural de Ituporanga e meus pais, avós e bisavós viveram nesta região”.

Ele explica ainda que a obra possui 3,5 metros e que por ser inteira de concreto é bastante pesada. Na época, a prefeita Marli Goretti Kammers teria garantido a colocação da estátua no alto da Serra da Santa, no Alto Rio Saltinho, um caminho muito conhecido por pessoas de toda a região, principalmente no dia 12 de outubro, quando devotos procuram a cansativa subida como forma de mostrar a fé em Nossa Senhora Aparecida. “Eu conheci esse grande artista que é o Batista quando fez a entrega das mulas no portal da cidade e desde então gostei muito do trabalho dele. Quando ele disse que faria essa doação para o município fiquei muito feliz e logo pensei na Serra da Santa, que é um caminho feito por devotos. Pelo peso e tamanho seria difícil, mas nós encontraríamos um jeito. Infelizmente é um trabalho demorado, que exige tempo e dedicação, só que ele teve uns problemas e precisou interromper os trabalhos, então não conseguimos instalar a estátua na Serra durante o mandato, mas agora essa maravilha está quase pronta e será entregue para toda a comunidade”, comenta.

Marli diz ainda que o artista teria feito alguns pedidos para a população e que com as andanças pela cidade conseguiram muitos objetos antigos para o museu que José Cristóvão Batista está montando. A ex-prefeita afirma que muitos moradores fizeram a doação de diversos objetos, como: Aranha, carroça, tacho de fazer melado, descascador de arroz, máquina de marceneiro e muitas outras peças antigas. Ela informa que não houve investimento em dinheiro do poder público e como a obra é um presente para a comunidade, a Administração, na época se comprometeu em colocá-la em um local adequado.  “Aquele é o local perfeito para a estátua, lá até tem uma, mas é pequena.  Os devotos vão até lá em romaria e aos pés da santa se ajoelham para fazer suas preces e agradecimentos. É um grande presente para o município, temos muito para agradecer ao artista e principalmente as pessoas que acreditaram nele e que com os objetos antigos demonstraram seu apoio”, opina.

Sobre as doações dos objetos antigos, José Cristóvão Batista fala sobre um projeto. “Esses objetos são doação da comunidade, tendo em vista minha doação. Eu pedi porque uso os devidos objetos em pesquisas para minhas obras, além disso também estou catalogando objetos da região para formação de um museu”, esclarece.

Qual a história da Serra da Santa?

A história do destino turístico religioso no qual se tornou a Serra da Santa poucos conhecem. Marli conta que o pouco que sabe já lhe foi contado por outras pessoas. Segundo ela, um homem abandonado pela esposa teria feito uma promessa, se a mulher voltasse ele levaria até o topo da serra uma imagem de Nossa Senhora Aparecida. A mulher teria voltado e ele teria cumprido com o prometido. Assim, em devoção, muitas outras pessoas começaram a fazer promessas para subir a cansativa trilha até o alto do morro, após terem suas graças atendidas. Hoje, nem todos que procuram o local fizeram promessas, já que a beleza da vista lá de cima atrai também os aventureiros.

Quem é José Cristóvão Batista?

O artista catarinense é um dos maiores escultores do Brasil. O seu acervo conta com mais de duas mil obras em vários países. Só de monumentos em concreto armado já são mais de 40 na região Sul. Ele trabalha com realismo ou surrealismo, sempre trabalhando expressões em esculturas de dois centímetros a monumentos enormes nas praças públicas de cidades dos estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo. Atualmente ele também dedica parte do seu conhecimento na criação de artes para troféus artísticos enviados para grande parte do Brasil.