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Foto: Divulgação

Jorge Matias

Helena Marquardt

 

Moradores de Vidal Ramos relatam ter vivido momentos de terror durante o assalto a um banco e uma cooperativa na manhã de quarta-feira (04). O crime, que mais parecia roteiro de um filme de ação, teve dezenas de tiros disparados, duas pessoas feridas e reféns utilizados como barreira humana pendurados no carro em que os bandidos fugiram. Os criminosos ainda incendiaram um carro e uma carreta na SC-110 para dificultar a passagem da polícia.

 

A comerciante Isolete Wessel Boeing conta que estava em sua loja, em frente ao banco, quando escutou os tiros e se trancou dentro do banheiro. De lá ouviu muitos disparos. “A gente nunca acredita que pode ser tão assustador como aconteceu. Só vi foi um cara com um colete e uma arma na mão, bravo, com um senhor na frente dele porque o senhor queria escapar. Fechei a porta da minha loja e corri pro banheiro. Foram muitos tiros e quando a gente achava que estava terminando começava tudo de novo. Nos trancamos no banheiro e não sabia o que estava acontecendo lá fora, a impressão é que era um massacre e aquilo não acabava mais”, lembra.

 

Lucimara da Silva, é gerente de uma panificadora que fica nas proximidades do Banco do Brasil e conta que quando os disparos começaram pensou que fossem fogos de artifício. “Nós não sabíamos o que estava acontecendo direito, então todo mundo começou a correr para dentro da padaria e nós sentimos que os tiros estavam cada vez mais perto. Foram 15 minutos de sufoco, mas para aqueles que estavam dentro da padaria, pareceu que foram horas de angústia. No desespero, um cliente chegou a se jogar em cima da filha”, lamentou.

Veja no vídeo o momento dos disparos:

 

A servidora pública, Elza Hoppers, que estava no Banco do Brasil no momento do assalto conta que estava sendo atendida pela gerente e aguardando um documento que ela foi buscar quando escutou tiros. “No momento que ela foi para a sala de arquivos deu um estrondo. Levei um susto e já corri para trás do biombo da mesa da gerente e enquanto eles entraram era só tiros ou bombas, porque não tem marcas de tiros dentro do banco e penso que eles tinham bombas para assustar e lá fora sim, lá teve muitos tiros. Nisso já veio um cara com fuzil e apontou para minha cabeça. Ele perguntava ‘cadê a gerente’ e eu disse que não sabia e ele foi atrás da outra funcionária, perguntava pra ela ‘cadê a sala do cofre’”, relata.

 

Ela lembra que a funcionária não conseguiu imediatamente abrir o cofre porque estava muito nervosa, mas quando o cofre foi aberto o bandido entrou no local levando a refém. “Enquanto isso os outros ficaram ali dando tiros, mas em seguida acalmou um pouco e consegui fugir para outra sala e me esconder. Depois escutei eles dizerem ‘todo mundo para fora’ e tive que sair. Fui correndo com os outros que eles tomaram de refém e mandaram a gente formar um cordão para cercar o veículo que estava esperando para eles entrarem com o saco de dinheiro. Ali eles soltavam tiros e mandando a gente olhar para o chão. Depois vieram uns caras com a mochila cheia de dinheiro e outro com uma caixa metalizada. Eles entraram no carro e pediram para que os que estavam mais perto ir em cima e levaram de refém”.

 

Duas pessoas foram feridas

 

O crime aconteceu pouco após às 11h e depois de assaltar o Banco do Brasil e um posto de atendimento da Cresol, no Centro da cidade, os criminosos fugiram em uma caminhonete preta levando reféns na carroceria, laterais do veículo e dois no capô. Os reféns foram liberados minutos depois.

 

O grupo ainda usou uma caçamba da prefeitura para trancar a rua onde ocorreu a ação criminosa e incendiou um caminhão na SC-110, próximo à serra de acesso ao município, para dificultar a perseguição da Polícia Militar. Outros dois veículos teriam sido utilizados no crime, e um deles foi queimado no interior do município, próximo a uma região de mata.

 

Duas pessoas ficaram feridas no assalto. Um era o segurança do Banco que foi encaminhado ao Hospital Regional pelo helicóptero Arcanjo, e o outro também seria funcionário do banco e foi baleado no pé e encaminhado de ambulância do próprio município de Vidal Ramos ao Hospital Bom Jesus, em Ituporanga.

 

Até a noite desta quarta-feira (04), policiais militares e civis faziam buscas pela região para tentar localizar os suspeitos, mas até o fechamento dessa edição nenhum havia sido preso.