Alto Vale
Foto: Fabrício Escandiuzzi

Após a publicação do decreto municipal que autorizava o retorno de atividades esportivas coletivas em Rio do Sul nos estabelecimentos privados, na última sexta (21) a Prefeitura de Rio de Sul teve que voltar atrás da decisão e publicar novo decreto de suspensão, já que no mesmo dia a Secretaria de Estado da Saúde (SES) publicou uma portaria determinando a continuidade da suspensão de atividades esportivas coletivas de caráter amador recreativo. A medida vale principalmente para coibir a abertura de quadras e campos de futebol society.

A portaria 626 leva em consideração os decretos anteriores e que norteiam as ações de enfrentamento à pandemia e, principalmente, os dados apontados pela Matriz de Avaliação de Risco e que apontou a falta de distanciamento social como um dos principais fatores para a disseminação da doença e aumento do número de infectados.

No Alto Vale, empresários do setor relatam dificuldades e questionam a falta de apoio por parte dos governos municipais e estaduais. “É revoltante, a nossa situação é muito complicada, nós estamos há cinco meses parados, e além de estarmos parados a gente vê um descaso com nosso segmento, a gente não era nem colocado em pauta nas reuniões, só agora que estamos sendo colocados em pauta depois de cinco meses. Todo mundo tem funcionário, todo mundo tem família”, explica o empresário Eduardo de Freitas.

Ele ainda reforça que o setor precisa de mais apoio dos prefeitos da região, e relata o sentimento de impotência. “A gente não tem força, já tentamos de tudo e agora nessa quarta-feira vai ter uma movimentação em Florianópolis, vão os campos do estado todo e vamos tentar fazer uma manifestação lá para bater de frente com o governo. A gente também precisa trabalhar e podemos trabalhar seguindo todos os protocolos”, finaliza.

A superintendente de Vigilância em Saúde, Raquel Ribeiro Bittencourt destaca que acredita não ser o momento adequado para a liberação da atividade. “O que é preciso compreender é que temos um estado com regiões em vermelho e laranja, ou seja, em situação grave e gravíssima. E o isolamento social é o que tem mais impactado neste cenário. Não é o momento de se liberar uma atividade em que há contato direto entre as pessoas, por mais que compreendemos as necessidades do setor. O que foi autorizado a retornar até aqui foi o futebol profissional, com uma série de regramentos”, explica.

Na última quinta-feira (20), Santa Catarina registrou 38% em taxa de distanciamento social. De acordo com os critérios epidemiológicos, o índice ideal para frear o contágio oscilaria entre 50 e 60%.

Pelo regulamento, que será publicado no Diário Oficial do Estado, o descumprimento da portaria acarreta em infração sanitária.