Esporte
Djalma Moura corre cerca de 150 km por semana na preparação(Foto: Cristiano Estrela, BD 16/03/2018)

Djalma Moura, 62 anos, é o homem inquieto. Ganhou o apelido de “senhor do gelo” no ano passado, quando concluiu uma maratona no Polo Norte, depois de ter percorrido 42 quilômetros seis meses antes na Antártida. Na próxima quinta-feira, vai ganhar um novo chamamento: herói da resistência. Com outros 39 corredores vai participar da World Marathon Challenge, prova que consiste em sete maratonas em sete dias e por sete continentes.

A jornada começa em um terreno familiar ao pernambucano de nascimento que mora há 37 anos em Florianópolis. Na Antártida ocorre a primeira das sete maratonas. Dia após dia, de etapa em etapa, ele vai passar por Cidade do Cabo (África do Sul), Perth (Austrália), Dubai (Emirados Árabes), Madri (Espanha), Santiago (Chile) e Miami (Estado Unidos). Uma volta ao mundo em sete dias, e um total de 294 quilômetros percorridos com as próprias pernas.

– A variação estimada é de 50 graus entre a maratona mais quente e a mais fria. Isso, por si só, já é um grande desgaste. Até porque não há possibilidade de se fazer uma boa recuperação. Quando não estarei correndo, estarei no voo para outro continente, o que causa o desgaste físico por causa da viagem – acrescenta Djalma.

A carreira de atleta do engenheiro de minas começou para valer em 2004, quando realizou o sonho de completar a Corrida de São Silvestre, que causava fascínio desde quando a prova era transmitida em preto e branco pela televisão. Desde então, nunca mais parou. Correu maratonas ao redor do mundo, foi o brasileiro mais velho a correr nas duas extremidades do globo, sobre a neve. A partir de quinta-feira, será o segundo brasileiro a encarar a World Marathon Challenge. O primeiro foi o administrador paranaense Marcelo Alves, que enfrentou a prova em 2015, quando tinha 39 anos.

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Djalma Moura já pensa em próximos desafios(Foto: Cristiano Estrela, BD 16/03/2018)

Um atleta sem limites

Djalma ignora limites e limitações, não existem para ele. No entanto, não é apenas força de vontade de superar o desafio que faz encarar a prova extrema. Ele conta com treinador, médico e nutricionista para dar suporte técnico e ajudá-lo. A preparação multidisciplinar é necessária para conseguir lidar com a maior dificuldade: a recuperação de uma maratona para outra, que será feita durante os voos entre um continente e outro. No entanto, é com muito treinamento que terá condição de suportar os 42 quilômetros diários.

– Tem sido difícil pelo calor que faz por aqui. Tenho corrido entre 30 e 40 quilômetros por dia em temperatura de 35 graus, é quase insuportável. Por semana, o volume chega perto dos 150 quilômetros. Treino todos os dias – conta.

O embarque será neste sábado rumo à Cidade do Cabo, na África do Sul, onde fica até a primeira maratona, na quinta-feira. Além de tênis e outros apetrechos de corrida estarão as bandeiras brasileira e da doação de órgãos. Na cabeça, o desejo de completar cada uma das maratonas, dia após dias, para poder pensar nos próximos desafios: correr no Deserto do Atacama (Chile) ou a prova mais íngreme do mundo, no Everest (Nepal).

– Não vai demorar. Pretendo fazer uma das duas ainda este ano – garante o resistente e gelado senhor da corrida.