Cidade, Esporte
Foto: Cláudia Pletsch/DAV

Reportagem: Cláudia Pletsch/DAV

Um atleta paralímpico que compete mundialmente pela Fundação Municipal de Desportos (FMD) de Rio do Sul tem uma história de tirar o fôlego. Bruno Becker da Silva nasceu sem o braço direito e sem as pernas, mas encontrou na natação uma forma de realizar seus sonhos e incentivar outras pessoas a sonhar. A prova da competência do nadador é que ele já quebrou diversos recordes brasileiros, e as vitórias não param por aí, Bruno já ultrapassou dois recordes americanos e um mundial. Agora o atleta se prepara para levar Rio do Sul até Tóquio no Japão, onde busca competir pelas Olimpíadas de 2020 que estão previstas para acontecer entre o mês de agosto e setembro de 2021.

Bruno conta que ingressou na natação por vontade pessoal, que tudo começou depois da morte do irmão mais novo que era seu grande incentivador. O nadador explica que começou a participar de um programa, chamado Bem-Estar que incentivava práticas esportivas para os funcionários dos Correios e a partir daí se apaixonou pela água que tinha deixado marcas muito tristes para sua família. “Minha família e eu tivemos uma história muito impactante com a água, tivemos a perda do meu irmão por ele se afogar em uma cachoeira no município de Atalanta e isso foi um grande marco na história da minha família. Aquele episódio eu vi como algo a parte, vi que não era para terminar assim, quando surgiu a oportunidade de treinar eu encontrei uma forma de retomar minha vida, de me encontrar como pessoa, e essa retomada foi muito importante pois foi quando eu tive o primeiro treino que senti que a partir daquele dia eu teria uma grande reviravolta na minha vida, eu senti que a cada treino, a cada competição que eu participava meu irmão estava ali ao meu lado sendo meu braço direito. Tudo que eu venho disputando, tudo que eu venho crescendo como pessoa no esporte é dessa crença, dessa vontade de ter meu irmão perto de mim em cada braçada”, comenta.

Depois de diversas competições nacionais Bruno conquistou 22 medalhas, no ano de 2016 o atleta foi o sexto colocado nos 100 metros livres Classe S2, em 2017 recebeu o troféu de melhor atleta no Circuito regional da Caixa Rio/Sul e também a premiação de atleta com melhor desempenho no Circuito Brasil Loterias Caixa de Natação. Hoje o maior sonho do nadador é competir nas Olimpíadas de Tóquio no ano que vem, e para isso Bruno continuou treinando mesmo com a pandemia, ele ressalta que foram diversas adequações para que pudesse se manter em forma. “Foram muitas paradas e inícios por conta da pandemia, mas mesmo com as paradas a gente procurava se manter em forma e se cuidando o máximo possível. Com o retorno a gente viu que conseguimos manter a técnica, um bom alinhamento de corpo e estamos bem tranquilos com relação a tudo isso”, ressalta.

A expectativa para o próximo ano é a melhor, Bruno diz que segue para 2021 com bastante foco e entusiasmo. O campeonato previsto para o ano que vem é o Open Internacional Loterias Caixa de Atletismo e Natação que é realizado anualmente pelo Comitê Paralímpico Brasileiro, o evento que deve ocorrer em março contará com a presença de competidores de cinco continentes, e as marcas conquistadas pelos atletas nesta competição são válidas para o ranking mundial de atletismo e natação. Os finalistas desse campeonato podem também participar das Olímpiadas de Tóquio e, por isso Bruno diz que está treinando para fazer em Tóquio as melhores provas de sua carreira. “A gente tem uma grande responsabilidade que é batalhar para fazer final e assim disputar medalhas nos jogos de Tóquio. A nossa vontade como atleta obviamente é que quando formos chamados possamos fazer o melhor possível, por isso estamos focados em estar bem fisicamente e psicologicamente”, avalia.

Para aqueles que estão buscando o sonho de ser um atleta, Bruno deixa palavras de incentivo, e ressalta que qualquer pessoa, independentemente de sua condição pode sonhar e tornar seus sonhos reais. “Eu agradeço muito a todos que me apoiam pois são essas pessoas que fazem eu acordar todos os dias com vontade de vencer, assim eu consigo tratar cada treino como se fosse uma competição. Eu vejo que cada conquista minha vem me fortalecendo, mostrando para sociedade que é possível sim uma pessoa com um braço e sem pernas ser campeão da sua vida. É importante quebrar esses paradigmas que temos na nossa sociedade, de que uma pessoa com deficiência não é um coitado e que sim com muito empenho dá para alcançar tudo que a gente sonha”, finaliza.