Alto Vale

Reportagem: Helena Marquardt/DAV

Um invetário patrimonial apontou que nos últimos anos três mil itens sumiram da Prefeitura de Ituporanga. O relatório apresentado nesta semana inclui bens móveis e imóveis. Agora antigos gestores serão chamados para explicar os desaparecimentos e poderão inclusive ser responsabilizados judicialmente.

A listagem de bens cujo destino não ficou esclarecido soma R$ 1,3 milhão e inclui itens como 134 computadores e periféricos, 62 máquinas e equipamentos, 568 móveis e utensílios e até 25 veículos.

O último relatório desse tipo havia sido realizado em 2014. A atualização foi foi contratada pela antiga administração, mas ao assumir o Executivo o prefeito Gervásio Maciel solicitou um levantamento já que na cidade não houve transição de governo. O inventário foi feito pela empresa Controle Assessoria Empresarial, de Caxias do Sul.

O técnico Sérgio Justen comenta que o trabalho foi iniciado em setembro do ano passado e em seis meses eles visitaram todas as secretarias, setores, escolas e postos de saúde. “Teve um engenheiro civil, engenheiro mecânico e administrador que acompanharam essa atualização e a partir de agora a responsável pelo patrimônio da Prefeitura passa a fazer esse controle mensalmente”, disse.

Ele comenta que muitos bens que constam no relatório não foram mais encontrados, o que aponta no mínimo erros na baixa do patrimônio. “Havia 15 mil itens na base e aproximadamente três mil não foram mais encontrados”, revela.

O técnico explica que a empresa constatou que alguns bens acabaram não funcionando mais pelo tempo de uso ou mesmo sendo danificados em enchentes, por exemplo, mas a baixa é obrigatória e deve seguir um processo burocrático. “É preciso registrar isso, fazer um processo administrativo, um laudo. Não podemos simplesmente alegar que sumiu”, ressalta.

O prefeito de Ituporanga, Gervásio Maciel, revela que o levantamento, contratado pela antiga Administração, custou cerca de R$43.500,00 para seis meses de trabalho. O laudo patrimonial dos bens móveis e imóveis foi apresentado nesta semana. “Esse acompanhamento não existia. Agora recebo o relatório contendo secretaria por secretaria dos bens que estão faltando com cerca de três mil itens faltantes e até carros. Não estou dizendo que alguém roubou um carro, mas tem vários objetos faltando. Claro que alguns podem ter se acabado, mas no mínimo o secretário teria que ter comunicado para dar baixa no patrimônio”, ressaltou.

Ele afirma ainda que os ex-secretários e ex-prefeitos serão chamados para esclarecer o desaparecimento de cada item que estava sob sua responsabilidade. “Essa auditoria também é fundamental para nos ressalvar, apontar o patrimônio que recebemos em nossa gestão. Agora vamos fazer um processo administrativo para apurar aquilo que foi realmente comprovado que estragou com o tempo, ou se algo foi pego ilegalmente. Nesse caso vamos cumprir a lei porque não somos donos de nada, esse patrimônio é público.”