Alto Vale, Sem categoria

Reportagem: Gabriela Szenczuk/DAV

Desde que o Governo do Estado instaurou medidas de isolamento social em Santa Catarina e cancelou as aulas presenciais nas redes pública, estadual e particular, estudantes de todas as idades e faixas etárias têm ficado em casa e tido aulas online. Entretanto, enquanto alguns pais veem o método como uma forma inovadora de estudo, outros têm receio das consequências e resultados da aprendizagem.
Em Ituporanga o Centro Educacional Bom Pastor tem aderido à nova alternativa e enviado aos alunos do Jardim algumas atividades para casa. Dentre elas, incentivar as crianças a fazerem seu próprio lanche ou fazer alongamento para exercitar o corpo. Barbara Lehmkul e Marcos Pedro Mattei que são pais de Arthur, de quatro anos, têm gostado das atividades. “É uma forma de os pais participarem do dia-a-dia das crianças, ajudar a educar. Com o Arthur mais próximo da gente, eu descobri que ele já sabe até separar as palavras com sílabas. Está sendo muito bom”, conta Barbara.
Marcos também sentiu a diferença. “Tivemos que preparar um lugar em casa especial para ele conseguir fazer todas as atividades. Como eu e a Barbara estamos trabalhando home office, ele também recebeu um cantinho na mesa com seus materiais. Em casa ele parece sentir que aquilo que ele está fazendo é mais importante, com a nossa supervisão”, conta.
Em Imbuia a creche municipal também aderiu ao novo modelo. Érica de Oliveira é mãe de Eloáh, de pouco mais de dois meses, e conta que a programação tem aproximado ainda mais a família. “Temos atividades para bebês frequentemente. São brincadeiras que envolvem a Eloáh, eu e meu marido”, conta a secretária. Além disso, ela ainda revela que as professoras estão sempre dispostas a auxiliar nas atividades.
Joicenara e André Pamplona têm um filho de 11 anos que frequenta a sexta série de uma escola particular em Rio do Sul. Para eles, a forma online de estudo é de grande valia já que a mãe também concluiu sua graduação à distância. “Diferentemente do que muitos pensam, o aprendizado é muito mais difícil. Exige mais dedicação, postura e disciplina do estudante”, diz Joicenara. Porém, para o pai do menino este tipo de ensino é um desafio. “Nem sempre a gente consegue sanar as dúvidas como um professor faria, garantindo a mesma qualidade de aprendizado”, relata André.

Nem todos aprovam

Uma profissional autônoma da região do Alto Vale, que preferiu não se identificar, diz que tem passado dificuldade já que o filho agora associa os dias em casa com época de lazer. “Ele não quer ver nenhum vídeo, escutar as historinhas que as professoras mandam. Ele quer brincar com os brinquedos dele, fazer outras atividades e não focar nas tarefas do colégio”, conta a mãe. Ela acredita que isso pode prejudicar o andamento e desenvolvimento da criança e, além disso, a função de estar acompanhando o menino nas tarefas fez com que ela deixasse de lado outras prioridades do dia-a-dia.
Uma técnica em radiologia e enfermagem, que também não quis se identificar, tem dois filhos, de 11 e 15 anos, em escolas particulares diferentes e afirma que ambas têm investido nas aulas online. “É um bombardeio de atividades que exigem que nós estejamos ajudando e não temos tempo para isso. É muita atividade trabalhosa que também exige dos pais.” Ela ainda conta que, com o marido em casa, parado por conta das medidas de isolamento social em razão do coronavírus, ela tem trabalhado para ajudar no sustento da casa. “Me desdobro em mil, ainda trabalho e não tenho tempo para mim.” Além disso, a técnica reclama que a maioria das atividades é difícil e ela e o marido não conseguem relembrar e se aprofundar nos conteúdos para auxiliar os filhos. “Acho uma hipocrisia. Os professores fingindo que estão ensinando e os pais fingindo que os filhos estão aprendendo”, finaliza.
Uma manicure de Rio do Sul, que não quer se identificar e tem uma filha em escola estadual, acredita que não se pode deixar as crianças sem educação no tempo de quarentena, mas acha que os conteúdos não estão condizentes com o nível de aprendizado dos alunos. “Minha filha está na quarta série e alguns conteúdos são muito simples. Esses dias ela teve uma atividade de desenhar vários círculos. O que, afinal, ela vai aprender com isso?”, questiona.