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Helena Marquardt:

 

O abandono de cães e gatos é uma situação frequente no Alto Vale, mas no final de ano, período marcado pelas festas e viagens, o aumento do número de casos preocupa ainda mais a Associação Protetora dos Animais Desamparados (Apad), que alerta para a posse responsável e para dificuldade que a ONG vem enfrentando como dívidas, falta de interessados em adoção e outros problemas.

 

O diretor financeiro da entidade, Jailson Losi, comenta que durante todo o ano o abandono é uma situação comum, mas sempre se agrava com a proximidade do final de ano.

“O abandono é recorrente, mas final do ano piora porque o pessoal quer viajar e fazer festas e esquece que é responsável pelo bichinho e acha mais fácil se desfazer”, comenta.

 

Ele ressalta ainda que além do abandono, uma situação ainda mais grave é que os cães e gatos tem sido deixamos em locais cada vez mais distantes e desertos, onde não há casas nas proximidades, o que diminui a chance de que eles sobrevivam.

“Muitos são deixados na Serra Taboão, Serra Canoas próximo ao Presídio e Casep e no bairro Albertina”, completa.

 

Jailson afirma ainda que a conscientização dos donos de animais tem sido uma questão muito delicada e relata que a Apad teve inclusive uma reunião com a Secretaria de Educação nesta semana para discutir a possibilidade de que o tema seja abordado nos Centros de Educação Infantil para trabalhar a mentalidade das crianças e evitar que isso aconteça no futuro.

“Queremos trabalhar a educação ambiental, o cuidado com os animais, maus tratos, porque entendemos que educar os pequenos é a solução a longo prazo, ou sempre vai continuar acontecendo e cada vez mais”, disse.

 

Ele revela que atualmente a Apad tem sob sua responsabilidade cerca de 80 animais, e a maioria deles foram recolhidos feridos das ruas ou eram vítimas de maus tratos e o trabalho da entidade está cada dia mais difícil.

“Não temos mais como recolher, não temos onde colocar esses animais. A gente recolhe e trata um e em seguida aparecem muitos mais e continuamos acumulando porque encontrar pessoas dispostas a adotar todos também é quase impossível”, lamenta.

 

Para alimentar os 80 animais a ONG gasta em média 500 quilos de ração por mês e o diretor financeiro diz que as doações da comunidade não são suficientes para cobrir as despesas, especialmente em clínicas veterinárias. Ele ainda apresentou números de atendimentos da APAD que demonstram como a realidade está difícil.

“Fizemos um levantamento anual e esse ano castramos dois animais todos os dias, isso de segunda a domingo, e fizemos pelo menos um atendimento veterinário por dia que são aqueles animais que vão para as clínicas e precisaram ficar internados, então é muito complicado. Nossas despesas de 2019 somam mais R$ 350 mil e ainda ficamos com dívidas de mais de R$ 30 mil. Os problemas são os mesmos sempre, não tem funcionário, não tem voluntários, não tem carro, não tem sede nem veterinário próprio e a comunidade não entende”, finaliza.