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Reportagem: Rafaela Correa/DAV

Os atendimentos feitos pela Renal Vida de Rio do Sul tiveram aumento significativo durante a pandemia e se antes o espaço já era pequeno, essa demanda ficou ainda mais evidente. Com promessa de mudança de endereço da Policlínica, a instituição aguarda definição do poder público para poder dar início ao projeto de ampliação junto ao Hospital Regional.

O médico dr. Leontino A. Ribeiro Neto conta que desde o ano passado, o número de pacientes têm aumentado porque além dos pacientes de rotina, as pessoas que desenvolveram a forma mais grave da covid-19 também necessitam de hemodiálise. “Temos 161 pacientes atendidos em hemodiálise e mais 21 de diálise peritonal. São 182 pacientes aos nossos cuidados. Em relação à covid temos atendimento de sete pacientes por dia, que estão internados no Hospital Regional. Em torno de 30 a 40 pacientes graves que são entubados precisam de diálise porque o vírus também ataca o rim. Além disso, na UTI Geral há entre quatro e cinco pessoas. Nós tivemos no ano passado742 sessões de hemodiálise em pacientes covid, e nesse ano, nos primeiros 4 meses já são 500”, revela.

O aumento da demanda também gerou mais despesas para a Renal Vida que sobrevive de doações da população. O médico explica que os trabalhos iniciam às 5 horas e se estendem até 21 horas. Com a pandemia, a necessidade de isolamento de funcionários e afastamento por eventuais casos na família resultou na contratação de outras pessoas para suprir a necessidade, o que acaba aumentando os gastos. “Esse número de atendimentos em geral teve um aumento de custo grande, porque nós tivemos muitos afastamentos em razão do vírus e na ausência deles precisamos contratar funcionários, pagamos muitas horas extras e, além disso, os nossos insumos tem muito a ver com o valor do dólar que subiu muito. Tudo isso em cima de um déficit de reajuste, porque já faz quase seis anos que não recebemos reajustes do Ministério da Saúde. Temos sobrevivido graças às doações da comunidade através da conta de telefone”, comenta.

Outro aspecto que preocupa é o espaço. A instituição tem recorrido à soluções provisórias e que não resolvem efetivamente o problema. “Nós temos uma promessa da prefeitura de nos dar espaço para construir um novo centro de diálise, mas ainda não temos definição e isso nos amarra. Não podemos fazer planejamento, porque é muito burocrático e leva muito tempo para fazer planta, aprovar, ir atrás do dinheiro que não é pouco. Estamos esperando definição por parte do prefeito para ver pelo menos quando a gente poderia dar início ao processo. Hoje estamos abrindo duas salinhas, quebrando paredes para colocar duas máquinas de diálise e outra para melhorar atendimento de urgência de pacientes”.

O espaço é tão cheio que até o corredor é usado como sala de espera. “Não temos mais para onde correr, não temos mais como aumentar e é muito difícil. Os nossos pacientes por conta do distanciamento esperam no corredor, onde é frio. Na realidade é quase externo, nós improvisamos com uma forração de plástico, mas mesmo assim é difícil porque começamos cedo e vão até à noite, é desconfortável para eles. Estamos esperando pelo espaço para tentar aumentar e ajuda do poder público também para conseguir dar conta disso”, acrescenta.

Questionado sobre valor do investimento que seria necessário para ampliação, Leontino diz que não se sabe exatamente o custo, mas que deve ultrapassar os R$ 15 milhões. “Calculo uns R$15 milhões no mínimo. É importante saber que esse nosso projeto seria junto ao hospital. Estamos elaborando um documento para ver a área que cada um precisa e vamos entregar à prefeitura e outro documento pedindo a doação”, afirma.

O médico agradece todas as contribuições e orienta que não basta resolver o problema e sim fazer com que ele deixe de existir, o que só seria possível através da prevenção. “A orientação para a população, sobretudo aqueles têm diabetes, pressão alta ou histórico familiar de doenças no rim, para que mantenham os cuidados com a saúde em dia através de exames, que mantenham a diabetes e a pressão controladas, que não usem remédios sem ordem médica e principalmente, tomem muita água, façam exames de creatinina e urina, dois exames simples, feitos em qualquer laboratório e requeridos por qualquer médico”, conclui.