Alto Vale

Reportagem: Gabriela Szenczuk

O Centro de Referência de Assistência Social (Cras) de Imbuia, que presta um serviço de acolhimento e proteção às famílias, também tem ajudado a mudar o guarda-roupa e aparência de muitas pessoas. Desde 2017 conta com um bazar, na secretaria de Assistência Social do município, onde pessoas podem fazer doações de roupas e sapatos que não utilizam mais para que outras possam usar. São em torno de cinco a oito mil peças de roupas e 150 pares de sapatos recebidos por mês. Hoje o local conta com uma média de 10 mil peças, que são recebidas de toda Santa Catarina e distribuídas a várias outras cidades do estado.

De acordo a funcionária pública cedida para a secretaria municipal de assistência social, Sueli Boll, a equipe do Cras faz o trabalho com as peças para todos os níveis de classe social. “Recebemos todos os tipos de roupas e sapatos, assim como doamos tanto para pessoas que têm condições financeiras melhores, como para os mais necessitados. Quem vem aqui e encontra alguma peça que gosta, pode levar”, explica. A secretária ainda ressalta o quão gratificante é atuar na área. “É uma terapia. É inexplicável o sentimento de ver a reação das pessoas que encontram alguma peça que gostam. Algo que queriam ter a vida inteira, nunca conseguiram comprar e hoje acham no nosso bazar de graça”, conclui.

Além disso, todas as peças que depois de um período não são doadas em Imbuia, são encaminhadas a uma voluntária de Rio do Sul, a dona Norma, que assim que as recebe, lava, arruma caso haja algum defeito, e deixa em condições para doar a quem precisa na capital do Alto Vale também.

Eliana Peixe Ferreira, que é coordenadora do Cras, esclarece que o bazar sempre funcionou de segunda a sexta-feira. Entretanto, agora, com a pandemia, os atendimentos de entregas e doações só são feitos mediante agendamento às segundas, quartas e sextas-feiras, através da Assistência Social do Município. “São muitas pessoas envolvidas neste processo de solidariedade – cerca de pelo menos 15 voluntários fazendo o intermédio entre o bazar e as pessoas. Às vezes uma pessoa quer doar, mas não tem como trazer até aqui, então a gente busca na casa dela. Ou ao contrário, quando ela precisa de algo, e nós levamos até ela,” explica.

Além da Assistência Social, as responsáveis pelo local e a funcionária que auxilia os visitantes, há profissionais de outras áreas, que atuam como voluntários no bazar e ajudam na distribuição destas peças, participando da causa. No Centro de Triagem da cidade, por exemplo, muitas peças novas e usadas são encontradas em condições de uso. “A gente encontra roupas usadas, que estão em condições de serem doadas, e às vezes a população não têm conhecimento dos nossos serviços e acaba jogando roupas novas fora. O pessoal da triagem recolhe e nos entrega para fazermos a higienização e colocar à disposição no bazar”, conta. Eliana se sente realizada ao fazer parte deste movimento também. “É um espaço simples, mas que faz bem para tantas pessoas. Ver a alegria delas quando encontram alguma peça de roupa é gratificante. É uma realização ver a alegria do outro. Doação faz bem ao nosso coração”, finaliza.