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Reportagem: Helena Marquardt/DAV

Num país onde a maioria das empresas acaba fechando as portas nos primeiros anos de abertura, ter um comércio completando 60 anos de história é um privilégio para poucos. E essa é justamente a trajetória de sucesso do Bazar do Vavá, loja de variedades de Rio do Sul que marcou a vida de muitas gerações e até hoje é comandada pelo fundador que faz questão de trabalhar diariamente e atender cada cliente com muito carinho.

Aderbal João Machado de Souza conta que lembra exatamente a data em que começou a trabalhar em 1961. Ele é natural de Florianópolis e veio para Rio do Sul depois de comprar uma barraca de aproximadamente seis metros quadrados do cunhado e assumir as dívidas do estabelecimento. “Na época já vendia de tudo um pouco e fui tocando. Com o tempo tiramos a barraca e colocamos na primeira rodoviária de Rio do Sul. Em 1982 começamos a construir o prédio onde estamos hoje”.

Como comerciante o período mais difícil enfrentado por ele foi em 1983 quando perdeu tudo em uma grande enchente que atingiu a região, mas mesmo assim garante que nunca pensou em desistir e recebeu ajuda de muitas pessoas para se reerguer. “Perdemos realmente tudo que a gente tinha em casa e tudo que tinha na loja. A sorte é que tínhamos um bom relacionamento em São Paulo com os fornecedores e prontamente nos ajudaram a nos reerguer”, lembra.

A loja hoje funciona em dois prédios no Centro de Rio do Sul e marcou a vida de muitas pessoas da região que encontram no local tudo o que procuram, desde papelaria, decoração, utilidades e muitas outras coisas. O estabelecimento conta também com clientes fiéis, alguns que compraram nos primeiros anos de abertura e continuam sendo fregueses até hoje. É o caso de Henrique Pamplona, de 83 anos, que também é comerciante.  “Eu lembro que quando ele chegou a Rio do Sul tinha um barraquinho, mas sempre trabalhou muito e foi um vencedor”, opina.

Hoje com 75 anos “Vavá” como é conhecido Aderbal, continua trabalhando diariamente na loja e conta que enquanto tiver saúde pretende permanecer a frente dos negócios. “Enquanto a gente tem saúde tem que continuar a produzir, trabalhar. Quando ficamos 21 dias em casa, com a loja fechada no começo da pandemia, cheguei a conclusão que a gente até adoece sem ocupar a cabeça”.

Questionado sobre o segredo para ter um negócio tão duradouro, o comerciante ressalta que é preciso ter humildade e principalmente tratar todos os clientes de forma igual. “Ninguém é mais do que ninguém, seja pobre ou seja rico. Sempre digo aos meus colaboradores que o cliente que vem comprar uma agulha tem que ser bem tratado como aquele que vem comprar coisas mais caras. Nenhum estabelecimento pode sobreviver sem os clientes.”