Alto Vale, Destaque

Em uma tentativa de tornar a agricultura mais sustentável, o biocarvão está sendo testado no Alto Vale pela Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri). Diferente do carvão comum, o biocarvão é produzido para atuar como condicionador de solo, como explica o pesquisador em fertilidade do solo e nutrição de plantas da Epagri, Fábio Satoshi Higashikawa. “O biocarvão pode ser utilizado em várias formas.

Em um primeiro momento a gente está testando no solo, como condicionador, mas também pode ser componente para absolvição de substratos para a produção de mudas. Esses são dois exemplos de aplicações e tem outros também, como a descontaminação de água contaminada, mas aí também não é muito a área da Epagri”, disse o pesquisador, ainda ressaltando que “também tem pesquisas no mundo a fora que se queimam os resíduos orgânicos, seja restos de animal ou planta, madeira, como forma de diminuir o volume e usar no solo”.

Após o carvão ser peneirado, os pedaços menores que 8 milímetros que não são comercializados para a indústria e nem para uso doméstico podem ser colocados no solo, onde promove a estruturação. “Esse que a gente está testando a gente chama de biocarvão porque está sendo usado no solo. É como se fosse um carvão normal, mas de uso exclusivo no solo, aí se torna o biocarvão. É um termo técnico, mas basicamente é o carvão que as pessoas conhecem, mas como o que a gente está testando são os pedaços que sobram depois do peneiramento, não tem valor comercial”, detalhou o pesquisador. De acordo com o que foi apurado até agora, o biocarvão pode ser uma opção para diminuir o uso de fertilizantes no solo e aumentar os nutrientes da terra. “A gente está com alguns resultados parciais. Em um primeiro momento a gente conseguiu constatar que a aplicação promove a redução do alumínio, aumento do PH e diminuição de utilização de fertilizantes”, disse Satoshi.

Pouco disseminado

O biocarvão ainda não é popular entre os produtores do Alto Vale. Segundo a Epagri, alguns produtores da região usam o material, mas não é um número considerado relevante. Por enquanto a empresa também não pesquisou os valores que seriam adicionados às produções com o uso do material, mas se estima que não seja alto. Segundo Satoshi, é preciso realizar mais testes primeiro. “A gente está na fase de teste e vamos ainda testar a parte de nutrição de plantas, se tem algum efeito. Pela literatura, o carvão atua aumentando a carga no solo e aumentaria os nutrientes das plantas, mas ainda estamos testando isso”, comentou. Em alguns casos, segundo as pesquisas, o biocarvão pode promover o aumento de produção das culturas e ainda pode reduzir a poluição ambiental. O material pode permanecer nos solos por décadas ou até centenas de anos devido a sua natureza, que tem maior resistência a degradação por microrganismos do solo. Deste modo, a aplicação resulta em estoque de carbono em solos agrícolas a longo prazo.

Resultados parciais

Na Estação Experimental de Ituporanga (EEIT) foram implantados dois experimentos. Resultados preliminares mostraram que a aplicação influenciou a fertilidade do solo de maneira positiva para alguns atributos. Porém, a adição de biocarvão não influenciou na produtividade de cebola. Segundo o pesquisador, o resultado de um ano não é conclusivo, porque o efeito na produtividade nos anos seguintes pode ser diferente e por isso é necessário fazer experimentos a longo prazo. Com a continuidade dos experimentos nos próximos anos, a intenção é analisar por quanto tempo serão verificadas essas mudanças na fertilidade do solo.

Suellen Venturini