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Foto: Divulgação CBMSC

Reportagem: Cláudia Pletsch/DAV

No último mês uma equipe de Bombeiros Militares de Santa Catarina, incluindo um bombeiro de Rio do Sul foi enviada para o Pantanal com o objetivo de ajudar a combater as chamas e salvar os animais silvestres que chegam a procurar pelos bombeiros em busca de água por conta das chamas que consomem a região.

Desde o mês de julho desse ano o incêndio já atingiu mais de 2,9 milhões de hectares de mata nativa. Segundo o Instituto SOS Pantanal esse número representa 19% do bioma no Brasil, lá os animais silvestres lutam para sobreviver e algumas espécies até mesmo em extinção estão sendo queimadas vivas.

O cabo Diogo Félix da Silva, é socorrista do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBMSC) há 11 anos e foi um dos escolhidos para ser enviado junto da equipe de bombeiros aqui do estado. Ele conta que essa foi uma experiência única na vida e que nunca irá esquecer dos momentos que viveu naquele lugar. “Foi uma experiência única desde a forma de combate às chamas até a experiência de aprender muitas coisas novas com bombeiros dos outros estados. O tipo de mata da região em que estávamos é bem diferente da nossa, então foi algo diferente que eu aprendi muito, inclusive por conta da interação com os animais que eu pude conhecer”, relata.

A força-tarefa de Santa Catarina viajou para o Pantanal no dia 02 desse mês, e ficou na região do município de Corumbá combatendo as chamas por cerca de 14 dias. Diogo conta que ao chegar na cidade, o cenário era assustador, ele diz que nunca havia passado por uma experiência igual e que vai levar para o resto da vida. “Quando chegamos lá o cenário era da cidade tomada pela fumaça, quando a gente estava chagando próximo a área queimada já se via os animais atravessando a pista tentando fugir, nós percorríamos cerca de 10 a 15 quilômetros para chegar ao local e não encontrávamos uma área verde, não dava para ver o final da queima, um cenário triste”, conta.

A rotina também não era fácil para a equipe, o cabo relembra que a força-tarefa saía às cinco da manhã para o combate e retornava somente pelas oito da noite, durante o dia na maioria das vezes não conseguiam fazer nenhuma refeição. Diego relata ainda que atuou junto com equipes dos estados do Paraná, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal além da Força Nacional de Segurança Pública.

O Pantanal segue queimando e o fogo não pode ser contido por conta dos fortes ventos que fazem as chamas se alastrarem rapidamente. A destruição do bioma segundo especialistas pode trazer diversos impactos ambientais negativos, pois a queima de extensas áreas com cobertura vegetal causa o aumento dos poluentes na atmosfera e perda da diversidade vegetal. Além da morte de animais silvestres a fumaça altamente tóxica é extremamente prejudicial para a saúde dos moradores da região. Segundo especialistas o tamanho do impacto ambiental ainda não pode ser medido.