Alto Vale
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Reportagem: Helena Marquardt/DAV

Nos últimos dias a busca pela ivermectiva, que vem sendo apontada como uma aliada na prevenção da Covid-19 e até distribuída para a população por algumas prefeituras de outras regiões, causou um aumento pela procura do vermífugo nas farmácias do Alto Vale. Apesar de autoridades alertarem de que não existe eficácia comprovada contra a doença, em muitos locais ele já está em falta e há até fila de espera para a compra.

A farmacêutica de uma farmácia de Rio do Sul, Talita Zwgoski, conta que no estabelecimento a procura aumentou tanto que ele já está em falta na drogaria há alguns dias. Já no setor de manipulação ainda é possível fazer a compra, mas o estabelecimento passou a exigir uma receita como forma de alerta sobre a importância do uso correto. “Até mesmo para ser tomado de forma correta porque essa é uma preocupação, para não haver interações com outros medicamentos. A procura está exagerada e tentamos controlar fazendo o pedido de uma receita para orientação, em que o paciente deve seguir o que é indicado pelo médico” relata.

O proprietário de outra farmácia em Lontras, Almir Freiner, conta que no local o estoque de ivermectina também se esgotou há alguns dias e nesse momento ele não consegue nem encomendar o medicamento. “A procura está sendo grande porque o pessoal quer confiar em alguma coisa. Estamos sem há alguns dias e não conseguimos nem encomendar porque as próprias distribuidoras não tem dado conta de fornecer”, ressalta.

O médico Itairan da Silva Terres, que integra a diretoria do Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina (CRM/SC) explica que a posição do órgão estadual é a mesma do Conselho Federal da categoria no sentido de preservar a autonomia do paciente e do médico. “Essa é uma situação onde não há dados científicos que tenham um conhecimento consolidado da eficácia do medicamento tanto para a prevenção quanto para o tratamento precoce da doença, entretanto, há alguns estudos que sugerem que pode haver uma eficácia ou um mecanismo de ação para conduzir esse efeito. Então julgamos isso como uma decisão individual do médico de usar ou não essas medicações”, afirma.

Ele destaca ainda que embora a eficácia não esteja comprovada, a ivermectina também não oferece efeitos colaterais como a hidroxicloroquina, o que é encarado de forma positiva. “Não há nesses medicamentos nenhum efeito colateral de maior gravidade como a hidroxicloroquina, que apresenta risco cardíaco e exige um monitoramento especial do paciente. No caso da Ivermectina, a medicação tem um grau de segurança bastante bom, dessa forma o médico que acreditar que ela pode trazer benefícios pode prescrever, mas tem o dever de informar ao paciente que essa medicação está sendo usada, mas ainda sem total comprovação de eficácia”, completa.

Anvisa diz que eficácia não é comprovada

Em nota a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) esclareceu que hoje ainda não existem estudos conclusivos que comprovem o uso desse medicamento para o tratamento da Covid-19, bem como não existem estudos que refutem esse uso.

A agência destacou ainda que até o momento, não existem medicamentos aprovados para prevenção ou tratamento da Covid-19 no Brasil. Nesse sentido, as indicações aprovadas para a Ivermectina são aquelas constantes da bula do medicamento e que o uso do medicamento para indicações não previstas é de escolha e responsabilidade do médico que prescreve a receita.