Alto Vale

Reportagem: Gabriela Szenczuk/DAV

Nesta semana dois filhotes de cachorro foram encontrados amarrados em uma sacola por um funcionário de uma empresa de reciclagem de lixo de Imbuia. O homem, ao ouvir o choro dos animais, abriu e confirmou que eles tinham sido descartados de forma cruel. As duas fêmeas acabaram sendo adotadas, mas o caso gerou revolta na região do Alto Vale e repercutiu pela internet.

Através de uma nota postada na página da rede social da empresa, a equipe se manifestou sobre o abandono “Estamos todos indignados com o que vimos de manhã. Recolhemos lixo na semana passada e hoje cedo, trabalhando, escutamos um cachorrinho chorando. Fomos ver estava dentro de uma sacola com roupas cortadas e muito lixo. A sacola estava bem amarrada e quando abrimos pra tirar um cachorro nos deparamos com dois cachorrinhos. Olha, para ter pessoas com tanta coragem de fazer isso, jogar dois cachorrinhos indefesos vivos dentro do lixo, é muito revoltante. Temos pena de pessoas assim, sem coração.”

A voluntária do grupo de protetores dos animais de Imbuia, Vera Barni Alves, questionou a pessoa que cometeu o crime e que infelizmente não foi identificada. “Você que fez isso, como conseguiu dormir?” e relembrou que maltratar e abandonar animais é crime. Além disso, ela conta que já presenciou diversos casos de resgate de animais que sofreram violência física com água quente sendo jogada no corpo, por exemplo, além do abandono, que tem sido recorrente na cidade, especialmente no centro de reciclagem. “Animais não são lixos descartáveis”, reforça.
De acordo com Vera haverá recompensa de R$ 400,00 para quem denunciar quem praticou o ato com provas reais do crime. “Tem muitos animais de rua, mas tem muito mais humanos se comportando como animais selvagens”, finaliza.

Outra voluntária do grupo de protetoras, Tatiana Possani, também demonstrou sua indignação com o ocorrido. “Temos um grupo de protetoras de animais aqui em Imbuia e cada uma desenvolve o trabalho e ajuda como pode há anos”, explica. Além disso, ela relembra de uma campanha feita em 2019 com o auxílio de escolas e da Câmara de Vereadores, onde era divulgado e reforçado que maltratar e abandonar animais é crime federal e de acordo com a Lei 9.605, Art. 32, a pena por este crime pode ser de três meses a um ano. “A gente gostaria que se alguém souber quem fez isso com aqueles animais, denunciem para nós ou liguem para a rádio para comunicar o autor do crime para que possamos levar isso adiante, na delegacia, e registrar um boletim de ocorrência porque isso não pode ficar impune”, diz. Tatiane ainda faz uma comparação com uma passagem bíblica. “Jesus Cristo escolheu uma estrebaria para nascer. Eu acho que Ele dava muito mais importância para os animais porque eles têm muito mais companheirismo do que os homens. Um animal nunca faria isso com um outro animal. Já um ser humano é capaz de ter a crueldade de fazer isso”, desabafa. Tatiana reforça sua opinião de que por mais que alguém não tenha e não goste de animais, há a necessidade de respeito por ele, pois todo ser vivo merece e precisa de cuidado.

Luta pela causa animal

Desde o ano passado o grupo de voluntárias conseguiu uma parceria com a prefeitura e a veterinária do município para realização de castrações gratuitas na cidade com o intuito de diminuir a reprodução de animais e, consequentemente, abandonos. “Principalmente para aquelas pessoas mais carentes, que não têm condições financeiras, desde 2019 o município está fornecendo castração de graça. Já foram feitas mais de 100 castrações e temos apoio da administração municipal para continuar realizando ainda mais”, explica a voluntária Tatiana. Além disso, as voluntárias disseram que campanhas nas escolas sobre os cuidados com animais e contra os maus-tratos devem continuar. Há esperança também de que com as eleições, haja mais políticas públicas voltadas à causa animal em Imbuia.

Campanha

No ano passado foi feita uma campanha pelos alunos do terceiro ano do EEB Frei Manoel Philippi, que incentivava a adoção. A ação, que tinha como tema “Não abandone, adote”, reforçava o fato de que abandonar, espancar, golpear, mutilar, envenenar, manter preso em correntes e não dar água e comida diariamente é considerado maltrato. Além disso, a campanha também incentivava a adoção pelo fato de que, adotando um “aumigo” há menos abandono, mudança na vida do animal e do adotante, diminuição do estresse, mais compreensão, garantia de humor melhor e a certeza de que existe um amor incondicional, o de quatro patas.