Alto Vale

Reportagem: Helena Marquardt/DAV

Depois de um ano de campanha e uma verdadeira saga em busca de médicos que pudessem descobrir qual o problema de Benício Rubleski, menino de apenas dois anos, a família de Lontras finalmente recebeu o diagnóstico de Síndrome de Enterocolite Induzida por Proteína Alimentar (Fpies) que causa alergia a proteína dos alimentos. Agora os pais da criança encerraram a campanha, mas mesmo sabendo que nesse momento não há um tratamento, ainda têm esperança de que um dia o filho possa se alimentar, o que nesse momento não é possível.

A mãe de Benício, Cristiane Varela Rubleski, conta que graças a ajuda da comunidade eles conseguiram arrecadar em diversas ações cerca de R$ 40 mil, valor que foi investido totalmente em viagens para consultas com médicos especialistas em outros estados, hospedagem e inúmeros exames. O diagnóstico final foi dado em São Paulo há alguns dias. “Depois de quase um ano de campanha tivemos o diagnóstico final que foi realmente de Fpies então o médico nos disse que ele terá que ficar um tempo tomando somente a fórmula e depois vamos tentar introduzir alguns alimentos um a um para ver o que o corpo dele aceita. Por mais duro que seja o importante é que finalmente conseguimos o diagnóstico”, disse.

A moradora de Lontras comenta que atualmente o menino pode tomar apenas mamadeira com uma fórmula especial, mas relata o sofrimento do filho e da própria família por ele não poder se alimentar normalmente como outras crianças. “Algo que era para ser tão simples, comer, se tornou distante. Dói ver nos olhos dele a vontade, ouvir seu choro e ter que dizer não, ter que comer escondido. Eu sei que vai passar e que o tempo vai fazer com que ele tolere, mas o hoje dói demais”.

Cristiane afirma ainda que apesar da síndrome que impede a digestão da proteína de qualquer alimento, Benício é uma criança feliz. “Ele é forte, sorridente, amoroso, esperto demais. Não é desnutrido, corre, brinca, beija… Mas não desejo para ninguém passar por isso”.
Luta desde os primeiros dias de vida

A mãe lembra que a luta pela vida do pequeno começou desde cedo, pois logo após o nascimento do filho ela acabou ficando sem leite materno, e quando passou a dar uma fórmula alimentar infantil ele começou a passar mal. O diagnóstico inicial era apenas de Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV), mas o menino não conseguia ingerir qualquer alimento e chegou a ficar internado por 12 dias.

Depois de inúmeros episódios de vômitos, diarreia e diversos outros problemas de saúde, os médicos suspeitaram então da Síndrome de Enterocolite Induzida por Proteína Alimentar (Fpies), mas desde então a família precisou se acostumar com inúmeras viagens e dezenas de exames que finalmente confirmaram o diagnóstico fazendo com que a campanha em prol do menino fosse encerrada. “Em meu nome, do meu marido e do Benício, quero agradecer a todas as pessoas que nos ajudaram porque foi graças a campanha que chegamos a esse resultado final. Sabemos que a luta ainda será grande, mas temos certeza que vamos vencer”, finaliza Cristiane.