Alto Vale
Divulgação agência brasil

Rafaela Correa/DAV

O câncer é uma doença bastante comum. Diariamente é possível encontrar ou conversar com várias pessoas que têm ou que conhecem alguém que esteja enfrentando a doença, mas ir até um Centro Oncológico para iniciar o tratamento é muito mais difícil. A realidade das pessoas que recebem o diagnóstico é mais angustiante e de acordo com a Organização Mundial de Saúde, o número de casos de câncer de mama já superam os números dos casos de câncer de pulmão. Um oncologista de Rio do Sul diz que vários fatores estariam influenciando esse crescimento, mas que na região o número de câncer de mama sempre foi mais alto.

Segundo análise do oncologista Ricardo Muller, que atua no Centro Oncológico de Rio do Sul, os números devem ser vistos com calma, já que os índices e diagnósticos costumam ser diferentes em homens e mulheres. Ele afirma que apesar de existir uma grande incidência do câncer de pulmão, o número da doença na mama é mais alto e continua crescendo. “Os números do câncer de mama sempre foram maiores que o câncer de pulmão porque apesar de ser mais comum em mulheres, o homem também pode ser acometido, embora seja menos comum. A sequência da incidência de tumores nas mulheres é primeiro na mama e depois no pulmão. No homem é primeiro próstata e depois pulmão e em ambos os sexos, a incidência maior é do câncer de pele”, explica.

Ele ainda diz que há uma série de aspectos que acabam influenciando tal crescimento, inclusive sociais. “Existe um aumento no número de casos de câncer de mama, isso existe por uma série de fatores, até sociais. Hoje em dia as mulheres se casam mais tarde, têm menos filhos e isso tudo aumenta a probabilidade de ter câncer de mama numa idade mais precoce, o uso de anticoncepcional também”, enfatiza.

Neuza Diel descobriu a doença há quase dois anos e passou por um tratamento bastante agressivo, a quimioterapia. Segundo ela, não bastassem as dificuldades em enfrentar a doença, há ainda um aspecto psicológico que acaba pesando muito. “É claro que qualquer obstáculo é secundário quando falamos em cura, mas eu perdi todo o meu cabelo e evitava me olhar no espelho. Depois de passar pela quimioterapia ainda precisei fazer uma cirurgia para retirar toda a mama, tenho uma cicatriz enorme que é também um símbolo de vida, de vitória porque eu venci a doença, mas muitas não têm a mesma sorte. Outras pessoas também não conseguem aguentar as quimioterapias que fazem a gente passar muito mal por vários dias e desanimam. Se é que existe algo importante é manter a força de vontade de lutar pela vida e tentar se manter forte, nutrir o corpo com vitaminas e a mente com pensamentos positivos”, comenta.

Ela diz ainda que ter câncer durante a pandemia é ainda mais complicado e que a sensação de impotência é algo que potencializa o sofrimento. “Graças a Deus eu não peguei covid, mas cuidei bastante. O pessoal lá em casa também colaborou com isso, e o meu tratamento não atrasou em razão da covid, mas as cirurgias eletivas já foram suspensas algumas vezes e as pessoas que precisam urgente de uma cirurgia são prejudicadas pela pandemia, mesmo que não se contaminem”, avalia.

O que diz a OMS?

No início do mês de fevereiro, a Organização Mundial de Saúde anunciou que o câncer de mama tomou o lugar do câncer de pulmão e se tornou a forma mais comum da doença. De acordo com entrevista em coletiva de imprensa, Andre Ilbawi que é especialista da OMS, “pela primeira vez o câncer de mama constitui agora o câncer de ocorrência mais comum em todo o globo”. O câncer de pulmão teria sido o tipo mais comum nas últimas duas décadas, mas agora está em segundo lugar, à frente do câncer colorretal, um dos mais disseminados. Ele observou também que a obesidade feminina é um fator de risco comum no câncer de mama e também estaria elevando os números gerais.

De acordo com os dados divulgados pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), em 2020 o número de diagnósticos da doença na mama, em mulheres passou de 66.280, enquanto que os diagnósticos no pulmão, brônquios e traqueia foram equivalentes a pouco mais de 12.440. Embora as chances de cura sejam grandes quando descoberto precocemente, o número de óbitos pela doença na mama ainda é grande e no ano passado chegou a 17.572.