Alto Vale
Foto: Rádio Sintonia

Após a grande manifestação para inclusão da cebola na Lista de Exceções à Tarifa Externa Comum (Letec), produtores agrícolas estiveram reunidos na tarde de ontem, na reunião da Câmara Setorial. Na oportunidade foram discutidas iniciativas que podem ser adotadas pelos produtores rurais para agregar valor à cebola.

De acordo com o engenheiro agrônomo, coordenador Regional da Epagri e responsável pela Câmara Setorial da Cebola em Santa Catarina, Daniel Schmidt, é necessário estimular o consumo do produto brasileiro. “No Brasil se consome cerca de 7 kg de cebola por habitante a cada ano. Enquanto países como a Argentina, por exemplo, o cidadão consome de 12 a 13 kg por ano”, comenta.

A proposta é criar uma identidade para a cebola produzida na região do Alto Vale do Itajaí, que popularmente é conhecida como “Cebola Catarina”. Durante a reunião foram colocadas em discussão algumas possibilidades de identificar a origem da produção. “Hoje a cebola sai do produtor em sacos de 20kg, chega ao mercado e é depositada numa banca. O consumidor não conhece essa origem”, explica.

Entre as alternativas, a possibilidade de vender o produto embalado de forma diferenciada ou a inclusão de uma placa de identificação da origem do produto na banca de verduras. “É o início de uma discussão para que consigamos no futuro ampliar o mercado de consumo de cebola, o que consequentemente vai melhorar as condições de comercialização do produtor rural”.

2º Grito pela cebolicultura

A avaliação dos organizadores da manifestação, que tem como objetivo incluir a cebola na Lista de Exceções à Tarifa Externa Comum (Letec), permitindo uma taxação maior do produto importado, foi considerada positiva.

Para o vice-presidente da Associação Nacional da Cebola (Anace), Antônio Carlos Pagano, o grande sonho do produtor de cebola é ter garantia de preço mínimo para comercialização do produto e se preocupar apenas com a produção. “Se existe um preço mínimo de aproximadamente 60 centavos, o governo precisa colocar a mão, garantir esse valor ao produtor”, explica.

O presidente da Associação de Produtores de Santa Catarina (Aprocesc), Luis Carlos Laurindo, garantiu que o sucesso do evento realizado em Ituporanga é um estímulo para outras regiões do país. Além disso, afirmou que a falta de lideranças políticas no evento foram justificadas e que os deputados convidados, apesar de não estarem presentes, estão sensíveis à causa.

Para o presidente da Anace, Rafael Corsino, a expectativa de mercado para a safra 2017/2018 é positiva. “Os produtores estão sempre sujeitos as questões climáticas, mas dentro daquilo que chega a nosso conhecimento, a safra está plantada, conduzida de maneira tranquila, com pouco de falta de chuva, mas com a irrigação não tem atrapalhado nada”, comemora.

Rafael Beling/Adriane Rengel