Alto Vale
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Reportagem: Helena Marquardt/DAV

Um dos cemitérios mais antigos do Alto Vale que retrata a colonização de Ibirama e região e estava ameaçado teve a preservação garantida. Isso porque após um longo processo ele foi tombado como patrimônio histórico e a partir de agora inicia a fase de restauração. O local pertence a Comunidade Evangélica de Dalbérgia que sem dinheiro para fazer a manutenção chegou a estudar a possibilidade de retirar as lápides históricas e levá-las para outro lugar.

Conhecido como Cemitério dos Primeiros Colonizadores, o antigo cemitério da Comunidade Evangélica, localizado na Rua Lauro Müller, funcionou do início da colonização no Vale Norte até a década de 1960. Nas lápides ou nos fragmentos que ainda restam, encontram-se registros das primeiras famílias que vieram para a região. A maioria das pessoas enterradas no local nasceu no século XIX, na Europa, e faleceu antes mesmo de algumas cidades vizinhas receberem seus primeiros imigrantes.

A presidente do Conselho de Cultura, a arquiteta Cristiane Schattenberg, comenta que o tombamento do cemitério, homologado no dia 20 de dezembro do ano passado por decreto, foi o primeiro passo para que o patrimônio histórico do município seja valorizado e preservado. “Foi um trabalho conjunto que contou com a ajuda do historiador Cleandro Boeira, do Museu Eduardo de Lima e Silva Hoerhann, do Dirceu Leite, e da equipe técnica do Departamento de Planejamento. Essa equipe elaborou os relatórios técnicos e conduziu o processo de acordo com a legislação”, explica.

Ela ressalta que agora o principal desafio é a restauração. “Para isso estamos buscando parcerias. Uma delas é com o Instituto Naturhansa, para deixar o local adequado para as visitas, preservando as características históricas”.

Outros imóveis podem ser tombados

O historiador Cleandro Boeira, que é especialista em Arqueologia, destaca que este foi o primeiro tombamento realizado em Ibirama e que no futuro a medida pode ser aplicada também em outros locais da cidade. “Acredito que a partir desse imóvel, possamos criar uma cultura de preservar outros imóveis históricos da cidade. É importante saber que tombar não é desapropriar ou impedir o proprietário de usar seu imóvel. O tombamento é um instrumento usado pelo poder público para preservar os imóveis que pela sua característica arquitetônica ou histórica, tem importância para a cultura e a história de uma cidade. Sabemos hoje que os imóveis tombados são, inclusive, fonte de renda para seus proprietários, devido ao turismo”, disse.

Boeira completa dizendo que o cemitério dos imigrantes é um sítio único em todo o Alto Vale e que de todos os cemitérios antigos da região, o de Ibirama é considerado por especialistas na área, como um dos mais antigos e por isso um dos mais importantes.

Ele revela que o primeiro sepultamento na comunidade foi o de Carl Schulze, em 1908 e mesmo tantos anos depois o local está bem preservado. “As lápides estão ali e é um local extremamente importante para a preservação da memória da região. Há alguns anos viemos monitorando o lugar e temos ele como uma das prioridades em relação a preservação e com seu tombamento estamos preservando um capítulo importante da história”, disse.

A presidente do Conselho de Cultura comenta ainda que outros imóveis podem ser tombados, desde que haja um pedido, que pode ser feito por qualquer cidadão. O formulário encontra-se no site da prefeitura.