Alto Vale
Foto: Divulgação

Helena Marquardt/DAV

Um dos cemitérios mais antigos do Alto Vale e que retrata a colonização de Ibirama e região pode estar ameaçado. Sem dinheiro para fazer a manutenção do espaço, a Comunidade Evangélica de Dalbérgia estuda a possibilidade de retirar as lápides históricas e levá-las para outro lugar.

Conhecido como Cemitério dos Primeiros Colonizadores, o antigo cemitério da Comunidade Evangélica, localizado na Rua Lauro Müller, funcionou do início da colonização no Vale Norte até a década de 1960. Nas lápides ou nos fragmentos que ainda restam, encontram-se registros das primeiras famílias que vieram para a região. A maioria das pessoas enterradas no local nasceu no século XIX, na Europa, e faleceu antes mesmo de algumas cidades vizinhas receberem seus primeiros imigrantes.

Lothar Grahl, que integra o Conselho Fiscal da Comunidade Evangélica de Dalbérgia, diz que hoje a comunidade não tem dinheiro para fazer a manutenção do espaço e não recebe ajuda das famílias dos colonizadores enterrados no local, por isso pensou na possibilidade de transferir as lápides para o novo cemitério da localidade.

“A comunidade não tem verba nem dinheiro para investir no cemitério. As famílias que têm pessoas enterradas lá ainda, não dão mais manutenção nos túmulos e nós não temos responsabilidade nenhuma de cuidar. Nesse período de pandemia não pudemos nem fazer as festas que a gente arrecadava dinheiro para manter a comunidade e conversamos e pensamos na possibilidade de retirar os túmulos que existem lá e trazer para o cemitério novo e fazer um memorial”, disse.

Já a prefeitura de Ibirama ressalta que a intenção é transformar o antigo cemitério em Patrimônio Histórico do município. Cleandro Boeira, historiador com especialização em Arqueologia e responsável pelo Museu Eduardo de Lima e Silva Hoerhann  acredita que os cemitérios antigos são bens comparáveis a museus e a intenção não seria restaurar, mas sim limpar e garantir a preservação. “Se você restaura você tira o valor histórico. A intenção seria a limpeza, manutenção e claro garantir a preservação daquele lugar que é do início do século XX e tem mais de 100 anos e remonta o início da imigração na região”, avalia.

O primeiro sepultamento na comunidade foi o de Carl Schulze, em 1908 e mesmo tantos anos depois o historiador conta que o local está bem preservado. “As lápides estão ali e é um local extremamente importante para a preservação da memória da região. Há alguns anos viemos monitorando o lugar e temos ele como uma das prioridades em relação a preservação, mas como ele é um terreno privado, não podemos fazer nenhuma intervenção a não ser com autorização da comunidade”, relata.

Dos cemitérios antigos da região do Alto Vale, o de Ibirama é considerado por especialistas na área como um dos mais antigos e por isso sua importância histórica. “Temos a esperança que em breve negociando com a comunidade possamos manter o local preservado para que as futuras gerações e pesquisadores possam tirar muita coisa dali de conhecimento. Se houve alguém importante sepultado lá ainda não sabemos e os registros também são privados, mas a Comunidade Evangélica do Centro já nos disponibilizou. Como são documentos muito antigos temos que ir fazer a compilação, mas as pesquisas já estamos fazendo e acredito que logo teremos uma relação completa”, finaliza Cleandro.