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Foto: CRS/DAV

Reportagem:Helena Marquardt/DAV

Após polêmicas envolvendo o pedido de retirada do Centro POP da rua XV de Novembro, a prefeitura anunciou que o espaço foi desativado e o atendimento às pessoas em situação de rua passa a ser realizado pela Casa de Assis, no Bairro Canta Calo. Já o imóvel que ficou vazio será cedido para a Associação de Familiares e Amigos de Pessoas com Autismo e Deficiência Intelectual e Múltiplas (Afadi).

O vereador Nilso Crespi, que foi o primeiro a cobrar a desativação, ressaltou que no projeto Gabinete nos Bairros, a retirada do Centro Pop foi o principal pedido da comunidade. “Era a maior solicitação da comunidade, que ou fosse melhorada a estrutura para que eles ficassem no local durante o dia ou fosse retirado, porque muitos só iam comer e ficavam na rua usando drogas, pedindo dinheiro. Então solicitamos à Assistência Social que fosse tomada uma atitude”, comenta.

O vereador diz ainda que realizou um levantamento das demandas e do custo para a manutenção do local na rua XV de Novembro e nesse estudo também chegou a conclusão de que a forma como estava sendo utilizado, o Centro Pop não realizava o trabalho a que se propõe que é a ressocialização. “Constatamos que o local não era próprio para este tipo de atendimento, existia só um banheiro para tomarem banho e uma mesa para tomarem café e almoçar, mas iniciativa do Centro Pop não é essa, é oferecer atendimento médico, psicológico e atividades que promovam a ressocialização”.

O secretário de Assistência Social, Ricardo Pinheiro, afirmou que pensando em melhorar o atendimento as pessoas em situação de rua foi que a prefeitura firmou uma parceria com a Mitra Diocesana que mantém a Casa de Assis, onde esse público passará a ser atendido. “Firmamos uma parceria com a Casa de Assis e toda a parte que era feita de acolhimento, café da manhã, higiene ficará sob responsabilidade deles. É uma forma de conseguirmos trazer mais a comunidade e o terceiro setor para prestar um serviço com mais qualidade”.

Ele argumenta que no Centro Pop o atendimento era feito de segunda a sexta-feira e agora, no novo local o atendimento será realizado durante sete dias por semana, inclusive aos feriados. Já a infraestrutura também será bem mais adequada para receber quem precisa de ajuda. “Continuamos com toda a parte de acompanhamento, nossa equipe segue fazendo rondas pela cidade e trabalhando com a abordagem dessas pessoas que estão na rua, tentando criar o vínculo deles com a família para que possam superar essa situação”, revela.

De acordo com o secretário, em média, o Centro Pop atendia entre 20 e 30 pessoas em situação de rua diariamente. “Na Casa de Assis temos um espaço bem melhor. Contamos com quatro banheiros e três chuveiros, várias salas para atendimento, e o local é mais próximo da rodoviária, da Assistência Social, com um terreno grande onde se pode fazer várias atividades”, conclui.

Imóvel será utilizado pela Afadi

Com a desativação do Centro Pop o imóvel passa a ser utilizado pela Afadi, e segundo a presidente, Rita Schlemper, a sede é uma grande conquista para que crianças e adolescentes possam ser atendidos. “Nosso projeto sempre foi de um dia poder clinicar para essas crianças, adolescentes de famílias menos favorecidas. A gente iniciou com o grupo de apoio que tem mais de dois anos, porque nós entendemos que era necessário primeiro dar um suporte aos pais, acolhê-los, direcioná- los”, relembra.

Ela explica que num primeiro momento a entidade recebeu o convite para usar conjuntamente com o Naee o imóvel de um Centro de Educação Infantil desativado, mas eles perceberam que o espaço seria pequeno, por isso seguiram procurando outro local. “O espaço seria pequeno para a gente poder clinicar. Em conversa com o poder público que sempre nos amparou, nos ajudou em encaminhamentos, em convênios, em todos os recursos para os seminários que nós realizamos, recebemos essa feliz notícia que seria desocupado o Centro Pop e a Afadi seria a beneficiada”.

A entidade terá no local o atendimento de uma equipe multidisciplinar composta por fonoaudióloga, psicóloga e terapeuta ocupacional, profissionais de fisioterapia e de educação física. “O poder público fará o repasse oficial do imóvel nos próximos dias e ano que vem conseguiremos atender através de um convênio com a prefeitura. A ideia é iniciar aos poucos e ir aumentando conforme a demanda e conforme a estrutura”, finaliza Rita.