Cidade

Todo município se reconstrói após uma enchente. E não são apenas os estabelecimentos comerciais que têm o transtorno de desmontar toda a sua estrutura, guardar mercadorias e fechar as portas durante o período das cheias. Muitos moradores das áreas afetadas também precisam sair de suas residências, e muitas vezes dependem de abrigos públicos ou do amparo de amigos e parentes para que possam permanecer em segurança.

As dificuldades encontradas pela população de Rio do Sul durante a última enchente movimentaram o mercado imobiliário neste mês. Isso porque as pessoas estão procurando por locais mais seguros e longe de alagamentos, justamente para não terem que passar por transtornos toda vez que o município é atingido pelas cheias.

A gerente de locação da imobiliária Dalfovo, Mariel Elisa Geiser, relata que esse ano as pessoas começaram a procurar por imóveis seguros em cima da hora, quando o município já estava em alerta. Em contrapartida, os escritórios localizados nas áreas atingidas esperaram o rio baixar. “Isso aconteceu muito em 2011, porque todo mundo achava que não ia dar enchente, e as pessoas também deixaram para cima da hora. Nas outras vezes que deu as enchentes menores, as pessoas já se anteciparam, já procuraram com mais calma, com mais tranquilidade”, conta.

De acordo com Mariel, a procura por imóveis comerciais e residenciais continuou após a enchente, e alguns apartamentos que estavam para locação há cerca de três meses foram ocupados rapidamente. “Os apartamentos que não são atingidos foram alugados mais rápido, a procura foi maior”, afirma a gerente.

 

Novo endereço

Cansado de ter que desmontar todos os seus móveis a cada alerta de alagamento, o advogado Rosandro Schauffler decidiu mudar sua empresa de advocacia de endereço após cinco anos. O estabelecimento estava localizado na rua XV de Novembro, na região central de Rio do Sul, e Schauffler optou por um local mais seguro, como a Galeria Luís XV, que também está localizada no Centro da cidade, mas não apresenta nenhum risco. “Durante esses cinco anos eu tive que desmontar [os móveis] três vezes e isso financeiramente acaba complicando bastante, em um período que comercialmente já está bastante difícil”, ressalta o advogado.

Schauffler explica que a mudança de endereço, que aconteceu na última sexta-feira (16), foi puramente estratégica. Ele conta que durante o período em que o município sofreu com as cheias, o escritório de advocacia permaneceu fechado por uma semana, isso sem contar com os dias que foram perdidos com a montagem dos móveis na semana seguinte. “Hoje eu fecho a porta, baixou as águas eu volto a trabalhar normal, sem problema nenhum. Dependendo inclusive do nível do rio, eu consigo chegar e trabalhar normal aqui dentro, operar pelo menos”, conclui.

Carolina Ignaczuk