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Foto: Arquivo/DAV

Reportagem: Rafaela Correa/DAV

Com a pandemia causada pelo coronavírus, os olhares voltaram-se com mais atenção aos cuidados de prevenção à doença, mas isso não significa que outras tenham deixado de existir. Em Rio do Sul, a frequência das chuvas acende alerta para possível aumento de focos da dengue.

O coordenador da equipe de agentes de combate à endemias, Jaison Marcelo Domingos, falou que a situação do município é estável, mas que com as chuvas, a água pode ficar parada e proporcionar ambiente favorável ao aparecimento das larvas do mosquito. “A gente tem no momento aproximadamente 25 focos e a nossa preocupação maior é agora com a chegada das chuvas na primavera”, afirma. Ele destaca ainda que embora a situação esteja controlada as pessoas precisam ficar atentas para pneus, vasos e recipientes que possam acumular água.

Os 25 focos encontrados no município de Rio do Sul estão distribuídos em diversos bairros, mas em alguns os números são maiores. “Tem bairros com mais e menos focos, a situação mais crítica é no bairro Canoas e Bairro Budag. São mais ou menos cinco focos em cada um dos bairros”, disse.
Segundo Jaison, todos os anos, a equipe de combate a endemias desenvolve trabalhos de conscientização com crianças e idosos, mas neste ano atípico, não foi possível. Agora, além de contar com o bom senso da população, toda a divulgação das formas de prevenção será realizada através da internet e panfletos entregues durante as visitas de monitoramento. “Nós colocaremos outdoors na cidade, esse ano não fizemos o trabalho de orientação nas escolas como fizemos nos outros anos, com a terceira idade, e hoje usamos a mídia para levar informação às pessoas, assim como durante o nosso trabalho de monitoramento das armadilhas, quando aproveitamos para panfletagem”, destaca.

As armadilhas são deixadas em pontos estratégicos. Segundo o coordenador, existem mais de 500 espalhadas pelos bairros. “São 520 armadilhas no município. As armadilhas consistem em pneus de moto cortados, com água. Nós monitoramos semanalmente”, conta.

Ainda de acordo com o coordenador, atualmente não há casos da doença, mas os focos encontrados são um sinal de que o Aedes aegypti que é o transmissor da dengue está presente na cidade. Ele lembra que a única forma de transmissão é a picada do mosquito e que cemitérios e ferro velhos exigem monitoramento constante para evitar que novos focos apareçam. “A gente tem os trabalhos nos ferro velhos e cemitérios que o Estado preconiza que a gente visite a cada 15 dias. É muito importante porque nesses lugares há vasos, pneus e objetos que podem ter água parada”, ressalta. Ele diz ainda que a equipe atende denúncias de vizinhos e pessoas que passam nas ruas e observam possíveis focos.

Situação Epidemiológica da dengue

A Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (DIVE/SC) divulgou o boletim n° 07/2020 sobre a situação da vigilância entomológica do Aedes aegypti e a situação epidemiológica de dengue, febre de chikungunya e zika vírus.

No período de 29 de dezembro de 2019 a 14 de março de 2020, foram identificados 12.216 focos do mosquito Aedes aegypti em 164 municípios. Comparando ao mesmo período de 2019, quando foram identificados 9.628 focos em 158 municípios, observa-se um aumento de 26,9% no número de focos detectados.

Em relação à situação entomológica, são 100 municípios considerados infestados, o que representa um incremento de 26,6% em relação ao mesmo período de 2019, que registrou 79 municípios nessa condição. A definição de infestação é realizada de acordo com a disseminação e manutenção dos focos.

Neste mesmo período foram notificados 1.577 casos de dengue em Santa Catarina. Desses, 294 (19%) foram confirmados (292 pelo critério laboratorial e dois pelo critério clínico epidemiológico), 13 inconclusivos (classificação utilizada no SINAN para os casos que, após 60 dias da data de notificação, ainda não tiveram sua investigação encerrada), 652 (41%) foram descartados por apresentarem resultado negativo para dengue e 618 (39%) estão sob investigação pelos municípios.

Do total de casos confirmados até o momento, 166 casos são autóctones (transmissão dentro do estado) 97 casos são importados (transmissão fora do estado) e 17 casos estão em investigação.As equipes da Secretaria de Estado da Saúde estão auxiliando os municípios com transmissão de dengue nas atividades a serem realizadas, incluindo a aplicação de inseticida a Ultra Baixo Volume (UBV) como medida complementar para controle vetorial.