Alto Vale

Reportagem: Gabriela Szenczuk/DAV

A portaria 421 divulgada pela secretaria de estado da saúde determinou a suspensão de todos os procedimentos cirúrgicos eletivos de média e alta complexidade e que necessitem de anestesia geral por 30 dias. No Alto Vale, os hospitais e centros cirúrgicos já aderiram a recomendação estadual.

O Hospital Regional do Alto Vale (HRAV), em Rio do Sul suspendeu desde quinta-feira (25) todos os procedimentos cirúrgicos eletivos de média e alta complexidade pelo SUS, convênios e particulares. Trata-se de uma decisão que segue as recomendações do estado por conta do desabastecimento de anestésicos e bloqueadores neuromusculares a nível estadual e nacional.

De acordo com o diretor técnico do HRAV, o médico Marcelo Gambetta, outro motivo que leva a esta decisão são os indícios epidemiológicos de aumento da taxa de transmissibilidade pela covid-19. Ele acredita que a decisão tomada pelo Estado seja resultado de um misto de motivos. “Como geralmente as matérias-primas da indústria farmacêutica são importadas e os maiores produtores de matéria-prima são a China e a Índia, provavelmente tudo isso aconteceu por conta de um aumento de consumo no mundo inteiro associado a um problema de distribuição da matéria prima dessas medicações”, diz. Ele ainda explica que não é possível comprar as medicações e manter um estoque razoável por muito tempo – uma vez que elas costumam durar apenas por duas a três semanas no máximo. Segundo o médico, as cirurgias com anestesia geral são um procedimento corriqueiro, já que metade das cirurgias de qualquer hospital é realizada com anestesia geral, representando um número significativo de procedimentos por mês que utiliza dessa estratégia cirúrgica. Gambetta ainda diz que acredita que se a distribuição das medicações normalizar não há porque manter a Portaria de suspensão das cirurgias eletivas vigente. “Imagino que após o prazo de 30 dias o próprio governo vai reavaliar a necessidade de prorroga-la ou permitir que as cirurgias voltem a ser realizadas”, finaliza.

O Hospital Bom Jesus (HBJ), de Ituporanga, também vai seguir a recomendação da Secretaria de Estado. Segundo o diretor clínico do HBJ, Dennys Inácio Brandão, a instituição decidiu acatar a portaria devido ao desabastecimento de alguns medicamentos por conta da pandemia do coronavírus. “Destacamos que estas medidas se fazem necessárias para que possamos dar um tratamento adequado para procedimentos de urgência e emergência e dos pacientes já internados em leitos hospitalares e em leitor de UTI”, esclarece. Dennys reforça, ainda, que procedimentos cirúrgicos que não demandem de medicamentos em falta ou anestesia geral continuarão sendo executados na unidade hospitalar, da mesma forma que cirurgias de urgência que precisem de anestesia geral. “Contamos com a compreensão de todos neste momento que estamos passando no enfrentamento da pandemia, desejando que logo tudo isso se normalize”, finaliza.

O diretor do Hospital Doutor Waldomiro Colautti (HDWC), de Ibirama, Roberto Ferrari, também acatou a decisão do estado e a instituição seguirá a portaria. “Desde quarta-feira (24), o HDWC, obedecendo a esta portaria, não está fazendo mais as cirurgias que necessitam de anestesia geral, mas os demais procedimentos continuam sendo atendidos normalmente e vamos aguardar neste período de 30 dias a possibilidade de regularização desse insumo farmacêutico”, comenta Roberto. Ele ainda ressalta que há grande preocupação não apenas com a disseminação do coronavírus, mas também com os serviços que deixarão de ser feitos e podem gerar consequências. “A nossa maior preocupação é também com o acúmulo de cirurgias eletivas, que estão permanecendo sem atendimento desde março. Alguns casos já começam a se tornar emergenciais e a fila que já era grande, com essa portaria, fica ainda maior”, finaliza.

A Portaria

A suspensão determinada pela portaria 421 vale por 30 dias. Os procedimentos cirúrgicos eletivos de média e alta complexidade de urgência, além dos chamados tempos-sensíveis, permanecem sendo feitos mediante parecer da equipe médica e autorização das Centrais Regionais de Regulação de Internações Hospitalares. Os procedimentos sob anestesia loco-regional e os considerados de urgência e emergência permanecem liberados.

A medida não vale para as cirurgias com anestesia local ou regional. Entretanto, as unidades hospitalares permanecem autorizadas a limitar o quantitativo a 50%, conforme determinado pela portaria que havia liberado os procedimentos (Portaria nº 342 de 20 de maio de 2020).

A nova portaria ainda determina que as unidades hospitalares de Santa Catarina ficam obrigadas a informar a situação dos estoques de fármacos anestésicos intravenosos e bloqueadores neuromusculares e enviar informação semanal de estoque e dispensação para o Centro de Operações de Emergências em Saúde (COES).